Notícias › 02/06/2016

Frei Medella prega sobre a Igreja Mãe no 2º dia

01 de junho – quarta-feira 

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No segundo dia da Trezena e Festa de Santo Antônio, em que celebramos também Jão Justino Mártir, o pregador Frei Gustavo Medella, fez a homilia sobre o tema do dia: Acolhidos pela Igreja Mãe – “Amo com o coração pela fé e devoção”.

CONFIRA A ÍNTEGRA

Queridos irmãos e irmãs, Paz e Bem! O Papa Francisco tem insistido para que sejamos uma Igreja Mãe, serva, companheira, um chamado Hospital de Campanha, que sai às ruas, becos, praças, aos campos de batalha para acolher e cuidar. Socorre nas emergências da vida os corações feridos, as dignidades fraturadas, os laços rompidos: acolhe, cuida, cura…
Acolhidos pela Igreja Mãe da Arquidiocese de Florianópolis, fundada em 1908, os frades franciscanos se estabeleceram na ilha neste mesmo ano. E moravam nas dependência da Igreja de São Francisco, da Ordem Terceira, hoje denominada

03-floripaOrdem Franciscana Secular. Depois é que os frades se mudaram para este local, onde instalaram uma capela provisória. Esta Igreja aqui foi inaugurada em 1921.
A mesma Igreja Mãe que acolhe é aquela que envia. Todos somos enviados, sem exceção. E, na qualidade daqueles que são acolhidos e depois enviados, Santo Antônio nos sugere a figura da lâmpada para nos servir de modelo. É claro que no tempo não havia a lâmpada elétrica que tempos hoje: incandescente, fosforescente, fria, quente, de LED, não havia nada disso. Lâmpada era um recipiente de vidro com um pouco de óleo e uma estopa à qual se acendia. E é a este tipo de lâmpada que nosso patrono faz referência. E aí ele menciona cada um dos quatro elementos que compõem aquele tipo de iluminação e diz o quanto é importante para nós cultivarmos aquelas qualidades.

O primeiro elemento é o vidro esplendente: o santo faz referência à transparência do coração que devemos buscar, a chamada pureza de consciência. O mundo carece de pessoas transparentes, que não se escondam sob títulos, posses, máscaras, libertas do fingimento. Que tenham em si a simplicidade de um ser humano chamado por Deus à vida, à convivência, a dar e receber amor.

O segundo material é o azeite suavizante, a que Santo Antônio denomina como a compaixão para com a necessidade fraterna. Ter compaixão significa compreender e sentir na própria vida a dor ou a alegria que o outro sente. É saber ouvir, consolar, vibrar e advertir o irmão ou a irmã, sempre preocupado com o seu bem. O nosso contexto de isolamento e alta competitividade nem sempre favorece este espírito de compaixão. Vemos as pessoas muito focadas em dar o melhor de si para conseguir o melhor para si. Pensar no outro, no coletivo, no comum costuma ser mais raro. Como acolhidos e enviados por Deus, somos chamados à compaixão fraterna.

02-floripaO terceiro elemento é a estopa, tecido rústico, áspero, que nos lembra o espírito de contrição e desapego. Nada de material que possuímos é nosso de verdade. Muita sábia a colocação do Papa Francisco quando diz: “Eu nunca vi uma procissão de enterro acompanhada por um caminhão de mudança”. Se tudo isso passa, fica para trás, perece, estraga, se perde, por quem temos tamanha tentação em investir o melhor de nossas forças no acúmulo de bens? O Senhor Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8,20), nos chama ao desapego.

E o quarto e último elemento é a chama, o ardor do amor divino. É este fogo que aquece e ilumina que nós queremos irradiar. Quanto mais nossa vida se voltar para este objetivo, mais realizados e felizes nós seremos. Mais alegres, serviçais, generosos e vibrantes poderemos ser.

Jesus, o Pão Vivo descido do Céu, que nos convida ao seguimento de um Deus que é vida e renovação nos chama a estas quatro atitudes: transparência, compaixão, desapego e força na fé para que sejamos uma comunidade capaz de comunicar a presença de um Deus vivo e transformador. Queremos responder a este convite, amando com o coração pela fé e devoção.

Desejamos ser uma comunidade unida, que reza, trabalha, dialoga, uma comunidade amiga dos pobres, corajosa, capaz de lutar contra as injustiças e apostar na construção de um mundo novo. Lâmpadas incandescentes de amor, que irradiem a luz do céu de si, porque em si deixam a luz do céu entrar. “Deixa a luz do céu entrar”.