Notícias › 09/06/2016

Frei Medella aborda o tema da educação

8 de junho – quarta-feira

09-680

Tema: Zelando pela Educação

       “Apascenta com a palavra da sagrada pregação”

Queridos irmãos e irmãs, Paz e Bem! Nono dia de nossa trezena e hoje somos convidados a nos debruçar sobre o tema da Educação, lembrando mais uma vez que a temática de fundo que nos conduz é: “Se me amas, apascenta” ou, parafraseando o ilustre educador Içami Itiba, “Quem ama, educa”. Apascentar você já sabe, mas não custa recordar, é conduzir a um lugar onde haja alimento, ou seja, onde exista vida. Educar é também um processo de conduzir: temos o compromisso de levar aqueles a quem educamos a valores, escolhas e opções que alimentem os sentidos de suas vidas. Pela palavra da Sagrada Pregação, pelo que falamos, mas também pelo que vivemos, temos o compromisso de conduzir aqueles que o Senhor nos confiou a um lugar existencial que os faça sentir-se plenos, realizados. E, para nós que cremos, este lugar é junto de Deus, o verdadeiro Deus.

Parece claro compreender este raciocínio da busca do verdadeiro e único Deus. Ninguém de nós, em são consciência, escolheria o caminho da idolatria. No entanto, os ídolos possuem disfarces muito sedutores e com frequência arrastam muitos em sua direção. Basta ouvirmos com atenção o relato do Livro Reis, proclamado na primeira leitura da Missa de hoje. O Profeta Elias declara em alta voz: “Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta”.

Mas você pode estar se perguntando: “Quais seriam então os ídolos de hoje?”

Vou me arriscar em listas três:

O primeiro é o dinheiro e seus “filhotes”: a fama, o prestígio e o poder. Daí decorre toda a corrupção que há muito tempo destrói o nosso país, humilha a nossa gente. Não são poucos os que vendem a alma para este deus, pisam nos outros, desviam recursos que seriam fundamentais para garantir uma vida minimamente digna para os mais pobres. Isto para ficar no âmbito da desonestidade. Mas também agindo honestamente nós podemos cair na armadilha deste ídolo, quando nos tornamos avarentos, e temos os nossos corações repletos de cifrões. Quando nosso foco passa a ser apenas acumular, reter, lucrar, ganhar. E aí também nos deparamos com o tema da educação. Quando eu celebro o batismo de crianças, com frequência recomendo aos pais: “Não eduque seu filho para ser bem sucedido, para ganhar muito dinheiro. Eduque-o para ser feliz”. Vamos tomar muito cuidado em não dar ao dinheiro a importância de um deus em nossas vidas.

O segundo é o consumo. Um deus muito sedutor e de grande potencial de destruição. Leva as pessoas à ilusão de que para ser feliz é preciso comprar sempre mais e cada vez coisas mais caras e melhores.  Implanta sonhos nos corações dos seres humanos e, para realiza-los, as pessoas muitas vezes entram dívidas enormes, prestações intermináveis. Este também é o deus falso que vêm destruindo o nosso planeta, provocando a derrubada de florestas, a poluição da água e do ar, o esgotamento dos solos, tudo porque é preciso se produzir cada vez mais para se consumir cada vez mais. Que nós trabalhemos por uma educação para o consumo consciente, sóbrio, modesto, igualitário e sustentável. Bem no fundo todos nós sabemos que não precisamos de muito para sermos felizes.

O terceiro é o bem-estar. Uma busca exagerada pelo conforto, pelo lazer, pelo happy hour. São muitos os hobbys para desestressar, para curtir a vida. Viajar, fazer trilha, andar de bike, de jipe, praia montanha, restaurantes, resorts, spas. Em si a prática não é ruim e é importante esta dimensão do lazer. Mas quando ela assume o lugar de deus, de elemento fundamental, a pessoa acaba abrindo mão de outras coisas essenciais, como a prática de uma vida de fé, o cultivo de boas relações humanas, o compromisso de generosidade e atenção para quem precisa. Vamos educar nossas crianças para a consciência de que o lazer é para servir ao ser humano e não o contrário.

Toda idolatria mata, desumaniza, cria um vazio muito grande para quem a ela se entrega. Nós não queremos enveredar por estes caminhos. O nosso Deus é um Deus vivo, que nos chama ao compromisso com a vida. É com Ele que desejamos caminhar.

Para encerrar, vamos dar a voz a Santo Antônio:

Infeliz do homem que cobre sua cabeça com a nuvem das riquezas, como se quisesse se consolar! Ao se cobrir com essa nuvem, ele está se privando do conhecimento e da lembrança de Deus, uma vez que, infelizmente, as coisas temporais só nos fazem esquecer a Deus. Os avarentos, ao buscar as coisas temporais, jogam a fé em Cristo e a graça do Batismo no monturo das riquezas. Amontoar riquezas só traz amargura, que logo causa tribulações e sofrimentos.

SEMENTE DO AMANHÃ

Ontem um menino que brincava me falou
que hoje é semente do amanhã…

Para não ter medo que este tempo vai passar…
Não se desespere não, nem pare de sonhar

Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs…
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
Fé na vida Fé no homem, fé no que virá!

Nós podemos tudo,
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será