Frei Galvão

Cronologia de Frei Galvão

cf. Traços biográficos de Frei Galvão

1739 – Nasce em Guaratinguetá-SP e recebe o nome  Antônio Galvão de França.

1752 – Ingressa, com 13 anos, no Seminário de Belém da Cachoeira, mantido pelos Jesuítas na Bahia.

1755 – Morre a Mãe, Dona Isabel Leite de Barros.

1757 – O jovem seminarista regressa a Guaratinguetá, permanecendo 2 anos com a família.

1760 (15 de abril) – Orientado pelos franciscanos do Convento Santa Clara de Taubaté, ingressa na Ordem de São Francisco, recebe o hábito franciscano e inicia o período de noviciado, no Convento de São Boaventura de Macacu, Porto das Caixas (Itaboraí), Capitania do Rio de Janeiro.

1761 (16 de abril) – Professa solenemente na Ordem franciscana e jura dar a vida, se necessário for, para defender o privilégio da Imaculada Conceição de Maria Santíssima.

1762 (11 de julho) – É ordenado sacerdote no Rio de Janeiro e celebra sua 1ª Missa Solene em Guaratinguetá.

1762 (24 de julho) – Transferido para o Convento São Francisco, em São Paulo, continua seus estudos de Filosofia e Teologia.

1766 (9 de novembro) – Com 27 anos de idade, consagra-se como filho e perpétuo escravo de Nossa Senhora, assinando com o próprio sangue o documento consagração.

1768 (23 de julho) – Concluídos os estudos de Filosofia e Teologia, é nomeado confessor, pregador e porteiro do Convento São Francisco.

1769 ou 1770 – É nomeado confessor do Recolhimento de Santa Teresa, onde conhece a irmã Helena Maria do Espírito Santo.

1770 (30 de junho) – Falece o Capitão-mor Antônio Galvão de França, pai de Frei Galvão.

1770 (25 de agosto) – Participa da fundação da “Academia dos Felizes”, primeira Academia de Letras de São Paulo.

1774 (2 de fevereiro) – Funda, com Madre Helena Maria do Espírito Santo, o Recolhimento da Luz, protegido pelo Governador da Capitania, Dom Luís Antônio de Sousa Botelho e Mourão, o Morgado de Mateus.

1775 (23 de setembro) – Morre Madre Helena do Espírito Santo.

1775 (29 de junho) – O Governador Martim Lopes decreta o fechamento de Recolhimento da Luz.

1775 (agosto) – O Recolhimento é reaberto.

1776 (9 de agosto) – Frei Galvão é nomeado comissário da Ordem Terceira de São Francisco de Assis (atual Ordem Franciscana Secular).

1777 – É nomeado visitador do Convento São Luiz de Tolosa de Itu.

1779 – É novamente designado comissário da Ordem Terceira, mas somente exerce o primeiro ano desse mandato.

1780 – É condenado ao desterro no Rio de Janeiro, pelo injusto e arbitrário Governador Martim Lopes, que, pressionado pela população, revoga o decreto de exílio. Frei Galvão retorna a São Paulo em triunfo.

1781 (6 de outubro) – É nomeado mestre de noviços e presidente no Convento de São Boaventura de Macacu, mas o Bispo de São Paulo e a Câmara conseguem impedir que ele se afaste da cidade .

1788 (25 de março) – As religiosas da Luz, até então instaladas em construções provisórias, transferem-se para o novo e amplo edifício, projetado e construído por Frei Galvão, que dá às religiosas os Estatutos por ele elaborados.

1796 – Recebe o privilégio de uma presidência e uma guardiania.

1792 – É mais uma vez nomeado comissário da Ordem Terceira de São Francisco. Ao que parece, não chegou a assumir a função.

1798 (24 de março) – É eleito guardião do Convento de São Francisco, na capital paulista. O bispo e a câmara municipal, receosos de que as novas funções o impeçam de prosseguir suas atividades no Recolhimento da Luz, intercedem para que ele seja dispensado da nomeação. Mas os superiores o mantêm como guardião e capelão da Luz.

1801 – É reeleito guardião de seu convento.

1802 (9 de abril) – Recebe o privilégio de definidor, sem precisar ausentar-se de São Paulo.

1802 (15 de agosto) – Depois de 28 anos de esforços de Frei Galvão, é inaugurado e abençoado o Recolhimento da Luz.

1804 – É nomeado visitador do convento franciscano de Taubaté e de Itu.

1807 – Nomeado visitador geral e presidente do capítulo provincial de sua Ordem, mas renuncia a esses cargos por motivos de saúde.

1808 – Recebe a nomeação para visitador dos conventos do sul pelo provincial Frei Antônio de Santa Úrsula Rodoalho. Vai em Missão a Piraí do Sul, onde deixa de presente uma estampa de Maria Santíssima (Da devoção desta estampa, nasce o Santuário das Brotas). Mas depois renuncia ao cargo.

1811 (25 de agosto) – Funda em Sorocaba o Recolhimento de Santa Clara.

1812 – Depois de 11 meses em Sorocaba, retorna a São Paulo.

1819 – Por graves problemas de saúde, passa a residir na Luz, com autorização do bispo e de seus superiores franciscanos.

1822 (23 de dezembro) – Morre aos 83 anos de idade e é sepultado no presbitério da igreja do Mosteiro da Luz.

1922 – Solene comemoração do centenário de sua morte em São Paulo.

1928 – 1ª biografia escrita por Madre Oliva Maria de Jesus.

1938 (5 de junho) – Início do 1º processo de beatificação de Frei Galvão. Frei Adalberto Ortmann,OFM é nomeado postulador por Dom Duarte Leopoldo e Silva.

1949 – 2º processo: Dom Carlos Vasconcelos Mota constitui um tribunal eclesiástico para a causa da beatificação. Postulador Frei Dagoberto Romag.

1969 (23 de dezembro) – 3º processo: Dom Agnelo Rossi reabre o processo.

1980 (23 de novembro) – 4º processo: Dom Paulo Evaristo Arns retoma com firme decisão o andamento do processo, que só dá largos passos quando assume a causa a irmã Célia Cadorim em 1990.

1991 (5 de fevereiro) – Solene exumação dos restos mortais de Frei Galvão.

1996 – Frei Galvão é declarado “venerável”.

1997 (8 de abril) – É aprovada a beatificação.

1998 (25 de outubro) – Solene beatificação de Frei Galvão, na Praça de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II.

2007 (11 de maio) – Canonização de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão no Campo de Marte em São Paulo pelo Papa Bento XVI. 

Homilia do Papa Bento XVI na Missa solene de Canonização

“Bendirei continuamente ao Senhor, seu louvor não deixará meus lábios” (Sl 33,2)

Alegremo-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar. Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Anna Galvão.

Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos” (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece. Saúdo com afeto a toda a comunidade franciscana e, de modo especial, as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.

Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava “filho e perpétuo escravo”.

Deus vem ao nosso encontro, “procura conquistar- nos até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente” (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.

Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório, renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em “laus perennis”, em atitude constante de adoração.

Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.

Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira “recolhida” destinada a dar início ao “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição”, testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: “Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram”. Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.

Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz, se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como “homem de paz e de caridade”. Que nos pede o Senhor?: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo”. Mas logo a seguir acrescenta: que “deis fruto e o vosso fruto permaneça” (cf. Jo 15,12.16) E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?

A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.

Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (ib.v. 13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais, se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.

Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida”. Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei”, diz o Senhor no Evangelho (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige Como não ver aqui este sentimento paterno, e ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador.

Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevogável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.

Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: “tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor”. São palavras fortes de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.

É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocamos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.

Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé, é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, mas também necessária a santidade, cada um no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!

Aspectos de sua espiritualidade e apostolado

1 – Místico e contemplativo: Homem de oração e devoto de Nossa Senhora

Frei Galvão distingui-se, primeiramente, por uma rica “espiritualidade franciscana e mariana”. Um verdadeiro filho de São Francisco: homem de oração, de vida simples e penitente. Um devoto apaixonado de Nossa Senhora: no dia em que professou na Ordem, fez “juramento de defesa à Imaculada Conceição” como era costume naquele tempo. Os Frades eram defensores do privilégio da Conceição Imaculada, cujo dogma só foi proclamado em 1854. Mas, 4 anos depois da ordenação, aprofundou aquele compromisso, assinando com o próprio sangue uma “Cédula irrevogável de filial entrega a Maria Santíssima, minha Senhora, digna Mãe e Advogada”, pela qual consagrava-se “como filho e perpétuo escravo” da Mãe de Deus.

Era uma espiritualidade que nasceu e se alimentava de uma forte experiência de Deus. E se manifestava em convicções e atitudes muito claras e firmes: absoluta confiança na Providência Divina e submissão total à vontade de Deus.

A partir dessa base, dá para entender bastante bem de seu comportamento e ações. Era de obediência irrestrita. Nomeações e transferências: logo as assumia e se punha a cumprir. Decisões de autoridades a seu respeito: obedecia sem pestanejar. Vejam-se, por exemplo, a nomeação e transferência para o Noviciado de Macacu, a ordem do Governador quanto ao fechamento do Mosteiro e quanto a sua expulsão da cidade, etc. O que entendia ser vontade de Deus, como as inspirações da Irmã Helena, corria para pôr em prática. Por traz havia sempre a serenidade de quem confia em Deus.

Podem ser vistas como expressões fortes da mística e contemplação de Frei Galvão sua luta e empenho, por mais de 40 anos, em favor da fundação do Recolhimento da Luz e da formação e direção espiritual das Irmãs para a vida contemplativa, e sua fidelidade, por 60 anos, ao juramento de servir à causa da Conceição Imaculada e propagar sua devoção.

2 – Pregador e missionário itinerante: Apóstolo de São Paulo

Impulsionado pelo amor de Deus, que trazia no coração, Frei Galvão foi o grande pregador e anunciador da Palavra de Deus, tendo como centro de sua ação evangelizadora a cidade de São Paulo. Logo que terminou os estudos, foi eleito em Capítulo Provincial “Pregador, Confessor e Porteiro” no Convento São Francisco. A sua pregação estava sempre aliada com o contato direto com o povo: a acolhida no Confessionário e Portaria, sua bondade e compreensão, seus conselhos e orientações, seu socorro e ajuda aos necessitados, enfermos e sofredores. Pouco a pouco sua fama atravessou fronteiras.

Sempre a pé, andou a pregar por muitas localidades fora da cidade: Sorocaba, Porto Feliz, Itu, Taubaté, Parnaiba, Indaiatuba, Mogi das Cruzes, Paraitinga, Pindamonhangaba, Guaratinguetá. A serviço da Província, viajou para mais longe: ao Rio de Janeiro, mais de uma vez, e chegou até Castro, Paraná, como Visitador da Ordem. As viagens, feitas a pé, se transformavam em roteiros missionários de pregação às diversas localidades. Em todos os lugares anunciava o Evangelho e a devoção à Imaculada. Ao passar por Piraí do Sul, indo para Castro, deixou a estampa de Nossa Senhora das Brotas, que lá se encontra na Capela das Brotas, e é venerada até os dias de hoje. Não seria exagerado dizer que a devoção à Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida, a partir de seu Santuário na pequena cidade do Vale do Paraíba e ao lado de Guaratinguetá, tivesse sido alimentada pelo trabalho de difusão desta devoção por parte de Frei Galvão.

Frei Galvão foi chamado “Apóstolo de São Paulo”. Sua pregação tocava as pessoas e era acolhida pelo povo de todos os lugares, que para ouvi-lo se reunia em multidão.

Como Comissário da Ordem Terceira de São Francisco, eleito por duas vezes, cuidou de formar os Irmãos na vivência do ideal franciscano como caminho de santificação e de verdadeiro apostolado leigo.

3 – Confessor e conselheiro: Missionário da paz e da caridade

O maior bem que Frei Galvão trazia no coração era Deus. Este bem ele distribuía a quem o procurava. As pessoas da cidade e de longe vinham a procura de Frei Galvão para se confessar, para buscar seu conselho e orientação de vida. Ele se destacou como confessor e conselheiro do povo. Portador da bênção e do perdão de Deus, só podia mesmo trazer a paz: a paz da reconciliação com Deus, a paz da pessoa com outra pessoa, a paz na família, a paz na sociedade. Em Itu, deu-se o caso de pacificação de uma família que se costuma contar. Ele era um conselheiro sábio, prudente, maduro, mais do que isso, cheio de Deus. Por isso mesmo era considerado “Homem virtuosíssimo” e foi chamado “Homem da paz”.

Além de Confessor do povo, dedicou parte importante de sua vida, primeiro como Confessor e Atendente das Irmãs Carmelitas, no Recolhimento Santa Teresa, depois, até o fim da vida, como Confessor e Diretor espiritual das Irmãs Concepcionistas do Recolhimento da Luz. Para o Recolhimento da Luz foi tudo: co-fundador com a Irmã Helena, construtor, arquiteto, pedreiro, esmoler, sustentador, Confessor, Capelão e Orientador espiritual.

Embora sendo pacífico e pacificador, era defensor da justiça. Basta lembrar o caso da condenação à morte do soldado conhecido pelo nome de “Caetaninho”. Frei Galvão não hesitou em pôr-se declaradamente em sua defesa, não obstante o confronto inevitável com o Governador da Capitania que ordenara a condenação, uma condenação injusta e arbitrária.

Se era todo amor para Deus, era-o também para os necessitados. Aprendera em família a dar esmolas. Conta-se que, em criança, dera uma toalha de crivo e bordado da Mãe a um pobre que pedia esmolas. Acostumara a ser generoso, sobretudo com os pobres e necessitados. Conta-se também que ao tempo da construção do Mosteiro da Luz passava toda semana pelos bares das proximidades e pagava as dívidas dos serventes da obra, que eram negros escravos.

O povo o amava e o defendia. Assim aconteceu quando o Governador por vingança decretara o desterro de Frei Galvão. O povo cercou a casa do Governador que se viu obrigado a revogar a sentença. Com razão o povo distinguiu Frei Galvão com o nome de “Homem da caridade”.

Por todos estes títulos, o povo considerava Frei Galvão um santo, e sendo assim, ainda em vida, todos o chamavam “Padre Santo”. Fama esta que não se extinguiu depois da morte, mas perdurou por todo o tempo e o está levando, finalmente, à Beatificação.

Para a glória da Ssma. Trindade, o louvor da Imaculada Conceição, a honra de São Francisco e o bem de todos nós franciscanos e franciscanas e de todo o povo de Deus. Assim Seja!

Dom Frei Caetano Ferrari, OFM

Bispo de Bauru-SP

Histórias de prodígios operados pelo santo em vida

Frei Galvão conquistou fama de santo devido aos seus “poderes sobrenaturais” como andar sem pisar no chão, estar em dois locais ao mesmo tempo e prever acontecimentos. A seguir, algumas das histórias registradas no livro “Frei Galvão – sua terra e sua vida”, de Thereza Regina e Tom Maia.

1 – Os fiéis e a chuva
Milagre da chuvaFrei Galvão estava celebrando uma missa em frente à igreja de Santo Antônio quando, na hora do sermão, formou-se uma grande tempestade e os fiéis ameaçaram sair correndo. O frei pediu para que ficassem, pois nada aconteceria para eles. O temporal atingiu toda a cidade, menos o local onde eles estavam rezando.

2 -O lenço
A família de um senhor de Taubaté, que estava doente e prestes a morrer, lembraram-no de que ele deveria fazer uma confissão. O homem disse que já havia se confessado com Frei Galvão, mas ninguém acreditou porque o frei não estava na cidade. Para provar que estava falando a verdade, ele tirou debaixo do travesseiro um lenço que o frei tinha esquecido ali na hora da confissão. Na época, os familiares acabaram acreditando porque o frei já tinha fama do poder de bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo).

3 – O frango do diabo
Frango do diaboEm Itu, um escravo ficou doente e fez promessa que, caso sarasse, levaria alguns frangos para Frei Galvão. Quando foi curado, o escravo amarrou os frangos em uma vara, mas no meio do caminho três deles fugiram. Dois foram capturados rapidamente e o terceiro, um carijó, fugiu velozmente. O escravo gritou “volta, frango do diabo” e a ave se enroscou em uma moita de espinhos e foi capturada. Quando ele foi dar o presente, o frei aceitou todos os frangos, menos o carijó, “porque este frango já o deste ao diabo”.

Cédula irrevogável de filial entrega a 

MARIA SANTÍSSIMA MINHA SENHORA,

digna mãe e advogada

Saibam todos quantos esta carta e cédula virem, como eu, Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, me entrego por servo e perpétuo escravo da Virgem Santíssima Senhora com a doação livre, pura e perfeita de minha pessoa para que de mim disponha conforme sua vontade, gosto e beneplácito, como verdadeira Mãe e Senhora minha. E vós, soberana Princesa, dignai-vos de aceitar esta minha pessoa, sendo filial entrega, não duvideis em admitir ao vosso serviço este vil servo, e por isso não desmerece vossa grandeza, antes ficará de todo engrandecida, com me sublimardes à dignidade de servo vosso, esta vilíssima criatura. Nas vossas piedosíssimas mãos entrego meu corpo, alma e coração, entendimento, vontade e todos os mais sentidos, por que de hoje em diante corro por vossa conta e todo sou vosso; em meu coração arda sempre o fogo da vossa piedade e acenda-se para desejar o mais justo, o mais puro, o mais perfeito das virtudes, e aceito aos vossos olhos; porém, na parte inferior sinto a lei repugnante de meus membros, contrária a do espírito que me retarda e embaraça, temo, Senhora, me impeça o bom desejo, porém Vós, piedosíssima Senhora, assisti-me e socorrei-me como vosso discípulo, ajudai-me como filho, obrigai-me como servo, quando eu retardar a resistir às tentações, o que não desejo fazê-lo de vontade, porém cairei de fraqueza, o que não permitais, para que não se glorie o inimigo do gênero humano e não alcance vitória desta batalha e que de vossas mãos arrebate meu corpo e alma pela humana fragilidade, e se por miséria minha vos deixar algum dia, o que não espero, e não haveis de consentir pela Vossa piedade antes me tireis a vida que ofender a Vosso Bendito Filho meu Senhor, não permitais fique desamparado com me expulsardes do ditoso número de vosso servos e escravos, mas antes alcanceis perdão de minhas culpas, reduzindo-me à vida perfeita até a morte, para que nessa glória vos louve e dê graças eternamente, para o que vos ofereço desde agora todos os meus pensamentos, palavras, e obras e tudo o mais meritório que fizer, e indulgências que ganhar para que apresenteis junto com os vossos merecimentos a Vosso Filho Santíssimo, dispondo de todos eles conforme for vossa vontade e se for de vosso agrado que sejam em sufrágios pelas almas; sejam que também será a minha vontade, que desejo esta sempre unida à vossa, excetuando com licença e beneplácito vosso, alguns merecimentos e obras, que eu aplicar por alguma intenção se assim também for de vosso agrado, ficando tudo o  mais aplicado e por aplicar como fica dito, e esta minha determinação e intenção quero que atualmente em minhas obras sempre existam e para que certamente o que por mim indigno desmereço, vos peço pela paixão, morte e chagas de Vosso Filho Santíssimo, pela Vossa pureza e Conceição Imaculada e por todas as graças e dotes que são do Vosso maior agrado. Sejam também meus intercessores o Arcanjo São Gabriel e o Anjo de minha guarda e todos os mais Anjos de todos os coros Angélicos e todos os Santos e Bem-aventurados, principalmente meu P. S. Francisco, digo primeiramente os gloriosos Santos Vossos Pais e Esposo, meu P. S. Francisco, Santa Águeda, o Santo do meu nome, São Pedro de Alcântara, Santa Gertrudes, meu P. S. Domingos, São Tiago Apóstolo, São Benedito, Os Reis Magos, São Jerônimo, Santa Teresa, São Francisco de Borja, a minha mãe Isabel, irmãos, parentes e amigos, se é que todos gozam da vossa vista como o espero e piamente suponho, e a todos os mais que é de vossa vontade que eu peça em particular. E rogo a todos esses referidos Santos que orem a Vós por mim e me sirvam de testemunhas irrevogáveis desta minha filial entrega e escravidão. E para que conste que esta minha determinação foi feita em meu perfeito juízo, faço esta cédula de minha própria letra e assinada com o sangue de meu peito.

Hoje, dia do patrocínio de minha Senhora e Mãe de Deus.

9 de Novembro de 1766.

De Minha Senhora Maria Santíssima indigno servo

Frei Antônio de Sant’Ana

 O original encontra-se no arquivo do Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro. O presente texto foi transcrito da obra da Irmã Maristela, Frei Galvão, Bandeirante de CristoVida do Beato Frei Antônio de Sant’Ana Galvão. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 40-42.

Origem das “Pílulas de Frei Galvão”

As pílulas de Frei Galvão nasceram do grande amor, zelo e caridade que Frei Galvão tinha para com os doentes. Um dia, não podendo visitar um rapaz que estava com muitas dores, escreveu em latim num papelzinho a seguinte invocação à Sempre Virgem Maria:

Post partum Virgo inviolata permansisti. Dei Genitrix intercede pro nobis! (que significa: “Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta. Mãe de Deus, intercede por nós!”)

Enrolou o papelzinho em forma de pílula e disse ao portador: “Leve ao enfermo e diga-lhe para tomar isso com fé e devoção à Maria”. Daí aconteceu a cura. Posteriormente, fez a mesma coisa para uma senhora em perigo de morte no parto. Ela e o filho se salvaram.

Quando ele morreu, as Irmãs Concepcionistas, a quem ele orientava espiritualmente, faziam estas pílulas e as distribuíam ao povo que acorria às portas dos mosteiros. Há quase duzentos anos, existe a tradição das Pílulas Milagrosas de Frei Galvão.

Que são as pílulas? Um sacramental, objeto de fé. Um sacramental liga-se profundamente à fé, ao Mistério de Jesus, Salvador. O Sacramental sempre se relaciona com Cristo, Maria ou os santos.

Exemplos: uma imagem, uma medalha, o terço etc. No caso das pílulas, trata-se de um sinal de fé e de devoção que Frei Galvão tinha à Virgem Imaculada. As pílulas são expressões do seu amor e compaixão para com os doentes, sinal de sua confiança na proteção de Maria. Devem ser tomadas em espírito de fé e devoção.

Temos notícias constantes das inúmeras graças e curas alcançadas por meio da Novena das Pílulas de Frei Galvão. Destinam-se aos enfermos do corpo ou do espírito. A cada enfermo, costumamos distribuir uma novena: isto é, uma oração para se rezar 9 dias e um pacotinho com 3 pílulas. Toma-se uma no 1° dia; outra, no 5º dia; e a terceira no último dia da novena. Não costumamos enviar grandes quantidades para uma pessoa distribuir. Nosso costume é endereçar a Novena das Pílulas para uma pessoa concreta. O quanto possível, jamais distribuí-las para que alguém faça ‘estoque’ para atender outras pessoas.

Frei Walter Hugo de Almeida, OFM

SANTINHO PÍLULA FREI GALVÃO - SF

Padroeiro da Construção Civil

Padroeiro da Construção CivilPode parecer estranho, mas os pedreiros e todos os operários da construção civil podem se orgulhar, porque o 1º santo brasileiro gastou 28 anos de sua vida usando a colher de pedreiro, além de traçar no papel ou em alguma tábua, a planta do Recolhimento (hoje, Mosteiro) e da Igreja da Luz da Avenida Tiradentes, em São Paulo.

Frei Antonio de Sant’Anna Galvão, além de franciscano, sacerdote e fundador, pode, ou melhor, deve ser apresentado também como construtor e invocado como padroeiro de quem ganha o pão trabalhando entre andaimes, erguendo paredes, construindo casas ou projetando prédios, como fazem engenheiros, pedreiros, pintores, serventes, ou seja, todas as pessoas envolvidas em construção.

A tela de Carlos Oswald imortalizou Frei Galvão exercendo a dura profissão de pedreiro, como os Evangelhos imortalizaram José e Jesus de Nazaré na profissão de carpinteiros. Para Deus, o que conta é o trabalho feito com dignidade e com o objetivo de colaborar na transformação do mundo e no bem-estar das pessoas. Isto é glória de Deus! Isto é santidade na sua expressão humano-divina!

As mãos, que na Santa Missa erguiam ao Pai o Corpo e o Sangue de Jesus para pedir misericórdia, erguiam também o tijolo e a colher com argamassa para o bem-estar dos homens, filhos de Deus. E o Pai do céu sorria ao contemplar Frei Galvão, filho do Capitão-mor de Guaratinguetá, que, com mãos calejadas celebrava seus louvores no Convento de São Francisco e no Mosteiro da Luz, hoje, “patrimônio cultural da humanidade” (UNESCO)

Neste momento histórico da canonização, isto é, do reconhecimento da santidade de nosso construtor e operário pelo Papa Bento XVI, que usando da autoridade conferida pelo magistério petrino, proclama Frei Antonio de Sant’Anna Galvão como santo não somente para a nação brasileira, mas para toda a Igreja Católica, só nos resta pedir a Frei Galvão que olhe por todas as pessoas que trabalham na construção civil e pedem a sua proteção: Santo Frei Galvão, intercedei por nós!

Irmã Célia B. Cadorin
Postuladora da Causa de Canonização de Frei Galvão

50 invocações a Frei Galvão

1. Frei Galvão, abrasado do desejo do infinito, que teu exemplo nos revigore no carisma seráfico.
2. Frei Galvão, herdeiro zeloso do carisma total de São Francisco, que teu exemplo nos desperte para a plenitude da nossa vocação.
3. Frei Galvão, amante da Regra Seráfica, que teu exemplo renove nosso ardor seráfico.
4. Frei Galvão, esplendor da Ordem Seráfica, que o brilho de tua vida prenda a nossa atenção.
5. Frei Galvão, Pai e Servo das Irmãs Contemplativas Concepcionistas, que apreciemos devidamente a “melhor parte” do Reino.
6. Frei Galvão, orientador seguro da Ordem Terceira, que teu exemplo suscite nos frades a urgência de transmitir a muitos leigos a dimensão leiga do nosso carisma.
7. Frei Galvão, alegre Filho de São Francisco de Assis, que saibamos também nós honrar tão grande Pai.
8. Frei Galvão, pobre por amor a Cristo pobre, que nossa pobreza seja ambiciosa das promessas de Jesus.
9. Frei Galvão, obediente por amor a Cristo obediente, que nossa obediência complete a obediência da cruz.
10. Frei Galvão, casto por amor a Cristo casto, que a urgência do Reino seja a nossa única forma de amar.
11. Frei Galvão, cultor da vida em fraternidade, que o Cristo esteja sempre à vontade no meio de nós.
12. Frei Galvão, simples como Francisco, que a simplicidade franciscana seja o ninho da nossa fé em Cristo e na Igreja.
13. Frei Galvão, astuto conforme o Evangelho, que nosso empenho pelo Reino seja pleno e vigoroso.
14. Frei Galvão, fidelíssimo à graça divina, que alimentemos viva consciência do nosso nada e nos deixemos atrair pelo tudo da cruz.
15. Frei Galvão, santo querido pelos confrades, que nossas fraternidades sejam sinais eloquentes da caridade de Cristo.
16. Frei Galvão, superior sempre a serviço, que estejamos sempre atentos para lavar os pés uns aos outros.
17. Frei Galvão, respeitador dos pecadores, que jamais um frade menor atire a primeira pedra.
18. Frei Galvão, generoso e pronto no perdão, sejamos os primeiros no abraço reconciliado, mesmo quando a culpa “é do outro”.
19. Frei Galvão, rico de piedade para com os irmãos falecidos, que cultivemos com amor seráfico a memória de nossos mortos.
20. Frei Galvão, instrumento franciscano da paz, sejamos todos apaixonados promotores da paz que Cristo nos trouxe.
21. Frei Galvão, cofundador do Mosteiro da Luz, sejamos mais ousados e menos comodistas na construção do Reino de Deus.
22. Frei Galvão, místico e fecundo na ação, que jamais nossa atividade amordace o grito da nossa oração.
23. Frei Gaivão, edificado sobre a rocha da humildade, seja a “kênosis” de Cristo a de nossa vida franciscana.
24. Frei Galvão, porteiro fiel e acolhedor. que saibamos acolher como gostamos de ser acolhidos.
25. Frei Galvão, renovador do evangelho franciscano, que saibamos renovar com fidelidade a herança recebida do Pai Seráfico.
26. Frei Galvão, morto para o mundo e renascido em Cristo, que o espírito do mundo prevaleça em nossas casas.
27. Frei Galvão, consagrado pelo sangue à Senhora Imaculada, que o Sangue Eucarístico do Cordeiro nos mantenha fiéis aos nossos votos.
28. Frei Galvão, ternamente agradecido a Jesus Crucificado, que seja a nossa vida uma perene Eucaristia.
29. Frei Galvão, testemunho do trabalho franciscano, que revelemos para o mundo, alegremente, que o trabalho é graça fecunda para o Reino e para o trabalhador.
30. Frei Galvão, franciscano de nome e de coração, que o frade menor seja a alma pura do nosso pensar e agir.
31. Frei Galvão, vigoroso às exigências da fé, que da rocha da fé bebamos a água viva que é Cristo.
32. Frei Galvão, caminheiro imperturbável da esperança cristã, que tenhamos sempre ao vivo: “grandes coisas prometemos, maiores nos foram prometidas”.
33. Frei Galvão, todo amor para Deus e para os irmãos, nosso espelho seja sempre: “Sede perfeitos como o Pai Celeste”.
34. Frei Galvão, liturgo por excelência, que jamais percamos a consciência de que a liturgia é antes de tudo “a ação de Cristo glorioso”.
35. Frei Galvão, rei, profeta e sacerdote segundo Cristo, que vivamos em plenitude estas funções que o Batismo nos confere.
36. Frei Galvão, zelosíssimo sacerdote do Altíssimo, que jamais percamos de vista a grandeza do ministério sacerdotal.
37. Frei Galvão, ministro da vida batismal, que o nosso compromisso franciscano se harmonize sempre com as promessas do Batismo.
38. Frei Galvão, educador da vida eucarística, sejamos todos segundo o coração eucarístico do Pai Seráfico.
39. Frei Galvão, reconciliador da vida cristã, que jamais esqueçamos que esta vida é a vida de Cristo.
40. Frei Galvão, testemunha da graça crismal, transpareça em nós o vigor da graça de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei!
41. Frei Galvão, fonte de bênçãos para a vida matrimonial, que nosso zelo apostólico priorize a vida familiar.
42. Frei Galvão, sábio ministro da Palavra de Deus, tenhamos por ela o santo respeito que São Francisco cultivou e tanto recomendou.
43. Frei Galvão, seguro orientador das consciências, que ajudemos as pessoas a serem imagens vivas de Cristo.
44. Frei Galvão, pregador ambulante do Reino, sejamos testemunhas permanentes do Evangelho.
45. Frei Galvão, apoio fraterno dos sacerdotes, sejamos amigos sinceros de todos os sacerdotes.
46. Frei Galvão, fidelíssimo à hierarquia da Igreja, alimentemos sempre uma visão sacramental deste mistério.
47. Frei Galvão, convertedor dos corações, saibamos atrair a todos para o lado aberto de Cristo.
48. Frei Galvão, leitor penetrante do recôndito das almas, descubramos em todos a imagem viva ou morta de Deus Uno e Trino.
49. Frei Galvão, arquiteto da Casa de Deus, sejamos pedras vivas da Igreja de Cristo.
50. Frei Galvão, reflexo da Infinita Bondade de Deus, que saibamos ser “sorrisos do Pai para bons e para maus”.

Frei Carmelo Surian, OFM

(com aprovação eclesiástica)