Primeira Parte do Especial

Nadir Goulart Neto

Dona Nadir nasceu dia 6 de outubro de 1930 (85 anos).

Seus pais, que já moravam próximo de nossa igreja, na Rua Felipe Schmidt com a Rua Sete de Setembro, se mudaram para a vizinha Rua São Francisco, sendo a segunda casa a ser construída nesta rua.

Criada tão pertinho, a jovem Nadir estudou no Grupo Escolar São José, em frente à nossa igreja, e nunca deixou de nutrir uma profunda identificação com a nascente Paróquia Santo Antônio. Sempre se considerou nossa paroquiana, mesmo quando, após o casamento, foi morar na Paróquia da Catedral.

Foi secretária da paróquia e atuou muitíssimos anos na antiga Pia União de Santo Antônio e na mais recente Ação Social da Paróquia Santo Antônio. Conforme suas palavras, “fazia a sindicância dos pobres”. Ao subir os morros, enfrentou diversos perigos, seja pelo difícil acesso geográfico, seja principalmente pela falta de segurança pública. O trabalho social foi, com certeza, um grande marco na vida dessa paroquiana missionária.

Dona Nadir é viúva há 31 anos. Seu marido, Lourival Bernardino Neto, falecido no dia 16 de novembro de 1984, pertencia ao Serra Clube, que promove as vocações sacerdotais, fez parte do primeiro grupo de ministros extraordinários da Comunhão Eucarística de nossa paróquia e tinha concluído o curso teológico para o ministério diaconal, embora tenha falecido repentinamente, em um acidente doméstico, antes de ser ordenado.

Desde então, a lida pastoral se tornou a sua própria vida. Todas as terças-feiras, com sol ou com chuva, lá está a Dona Nadir, com sua filha Auristela, embalando os pãezinhos de Santo Antônio e preparando com muita devoção as mensagens do santo para os seus devotos.

Na terça-feira passada, dia de seu aniversário, estava ela em seu posto, na sala de pastoral, disposta a passar mais um dia inteiro embalando pãezinhos para a missa das 12h30 e das 19h.

Ainda não conheci paroquiano ou frade que por mais tempo tivesse aqui atuado. Dona Nadir, com certeza, é personagem que não poderia deixar de ser lembrada nestas comemorações do Ano Jubilar da Paróquia.

Com grande carinho, ela recorda inúmeros frades com quem ela trabalhou e com os quais sempre manteve profundo respeito e amizade.

Por fim, perguntada sobre qual mensagem gostaria de deixar aos paroquianos neste Ano Jubilar, deu-nos um testemunho que resume a sua vida e, ao mesmo tempo, serve de motivação a todos nós: “Fui e sou muito feliz nesta paróquia!

Parabéns, Dona Nadir! Nós também somos felizes em poder contar sempre com a presença da senhora.

Nadir 2 Nadir 1

Dom Frei Felício César da Cunha Vasconcelos, OFM

Dom Frei FelícioCésar da Cunha Vasconcelos nasceu em Dores de Camacuã, município gaúcho de Tapes, em 25 de maio de 1904 [...] Com a morte do pai, [...]foi para a Capital gaúcha, com quinze anos de idade, em busca de trabalho. Lá foi funcionário do Banco Nacional do Comércio [...]

Foi no burburinho da Capital gaúcha que surgiu na personalidade do jovem, do bancário, a semente viva da vocação sacerdotal e, com 20 anos de idade, despedia-se dos seus colegas de serviço.

Contente, se foi para o Seminário de São Leopoldo, a fim de prosseguir seus estudos; terminou com brilhantismo o Curso de Teologia e, no dia 1º de novembro de 1933, recebeu a sagrada Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom João Becker [...] Sempre se mostrou dedicado e zeloso, desprendido, inteiramente consagrado à oração e ao trabalho. [...] Dele comentavam os paroquianos: “com que eloquência o Pe. César fala de Deus aos homens, e com que piedade fala dos homens a Deus”. [...]

Pe. César alimentava o desejo de ser missionário; seu ideal era desprender-se ainda mais, para mais se dedicar em favor dos pobres e anunciar o Evangelho da paz por toda parte. Ingressou no Convento de Rodeio, SC em 1941, para o Noviciado. Depois de um retiro espiritual de oito dias, recebeu o hábito franciscano, escolhendo o nome de Frei Felício [...] Designado para o Convento Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, revelou-se exímio educador. Lecionou na Faculdade Teológica dos Franciscanos e em vários Colégios de Petrópolis, até 1945 [...] Seus alunos de Eloquência Sacra, Catequética e Teologia Pastoral chegaram a somar as horas que seu professor passava à frente do Tabernáculo: não eram nunca menos do que 4 a 5 ou mais horas diárias. [...]

O Superior Provincial da Ordem Franciscana o transferiu para o Convento de Santo Antônio, em Florianópolis, confiando-lhe as Missões franciscanas nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, onde desenvolveu com abnegação e zelo o seu apostolado de 1945 a 1949. Tinha o dom da palavra, palavra ungida por sua espiritualidade e também pela voz harmoniosa, forte e profunda. [...] Era seu lema de missionário: “o missionário se adapta a tudo e não se apega a nada”.

Em 1949, estando no interior do Paraná, abriu ele a carta na qual estava a sua nomeação para Bispo de Penedo. [...] Frei Felício recebeu a Ordenação episcopal em Florianópolis no dia 29 de junho de 1949, sendo sagrante Dom Joaquim Domingues de Oliveira [...]

Brasão de Dom FelicioComo lema episcopal escolheu: Impendam et superimpendar pro animabus vestris – sacrificarei tudo e a mim mesmo me imolarei pelo bem das vossas almas (2Cor 12,15). O brasão tinha no centro a cruz e, dentro da cruz, a Hóstia; abaixo da cruz, as ovelhas buscando a água viva; acima da cruz, à esquerda o Espírito Santo distribuindo seus dons e, à direita, o monograma M(aria).

[...] Continuou sua marcha de missionário da caridade em pleno sertão nordestino. Percorreu em penosas viagens a diocese de Penedo, desde o litoral da Foz do Rio São Francisco até os sertões bravios nas divisas de Pernambuco. [...] Em 13 de abril de 1957, o Papa Pio XII nomeou Dom Frei Felício arcebispo titular de Verissa e arcebispo coadjutor de Florianópolis [...] A solene posse foi na Catedral em 14 de julho. Dom Felício fixou residência no Convento Santo Antônio, no centro da capital. Pedindo e recebendo poucos encargos, fez o que mais lhe trazia felicidade: atender os padres e ser convidado pelos padres a pregar missões. [...] Os padres amavam Dom Felício, humilde franciscano, provado pela pobreza, trabalho, carências de uma diocese alagoana, pois descomplicava a solução de problemas e era de fácil acesso [...]

[...] Sucedendo a Dom Agnelo Rossi, Dom Felício assumiu a Arquidiocese de Ribeirão Preto em 19 de junho de 1965. Já enfermo, empenhou seu zelo pastoral muito mais na oração em longas vigílias diante do Santíssimo Sacramento [...] Soube ser profeta diante da violência praticada pelo regime militar a partir de 1968. [...] Sempre mais sofrendo devido a um câncer, Dom Felício governava a arquidiocese a partir do leito de dor, oferecendo-se como vítima expiatória pela sua Igreja diocesana. Cercado pelo respeito e veneração de todos, com justa fama de santidade e exemplo heroico no sofrimento, Dom Frei Felício César da Cunha Vasconcellos, OFM faleceu no dia 11 de julho de 1972, aos 68 anos.

Pe. José Artulino Besen
História na Igreja em Santa Catarina, p. 201-211

Em 1983, a CNBB deu início ao Projeto Solidário “Igrejas Irmãs”. A Arquidiocese de Florianópolis assumiu, na ocasião, a Diocese de Barra, BA. Este projeto tem como objetivo uma entre-ajuda, seja financeiramente, por ser uma região muito pobre, seja pelo envio de missionários.

Dom Luiz CappioA Diocese de Barra tem uma extensão de 43.000 km² (mais ou menos metade do Estado de Santa Catarina) e uma população de cerca de 225.000 habitantes, em pleno semi-árido, o sertão baiano. Tem como bispo o franciscano Dom Frei Luiz Flávio Cappio, OFM, conhecido no Brasil e no exterior pelas duas greves de fome contra a transposição do Rio São Francisco.

Em meados de 2000, Pe. Jacó, que estava trabalhando como missionário da nossa arquidiocese na cidade de Barra, enviou um pedido ao Pe. Paulo de Coppi, missionário do PIME e coordenador da Animação Missionária da Arquidiocese de Florianópolis. Queria ele que fosse um grupo de missionários daqui para uma missão lá. E assim se deu início às Missões Populares na Bahia. Nestes 16 anos, só não foram feitas missões nos anos de 2002 a 2004, devido a uma grande seca na região neste período.

Contava a Diocese de Barra, na época do início das missões, com apenas uma dezena de padres, para uma extensão tão grande. Sendo assim, algumas comunidades mais distantes recebiam a visita do padre somente uma vez ao ano, e outras tantas nem podiam contar com esta visita. Hoje a diocese conta com 12 paróquias e 2 pró-paróquias e o número de padres é de mais ou menos 14, de modo que muitas comunidades continuam recebendo a visita do padre uma ou nenhuma vez ao ano. Assim, a cada ano, os missionários são enviados a uma destas paróquias. Desde o início do projeto, já foram  realizadas missões populares em todas as paróquias da diocese. Em 2013, deu-se início a um novo giro pelas paróquias, recomeçando com as missões na paróquia de Barra.

As missões na Bahia são realizadas com missionários locais e  missionários provenientes de todas as paróquias de nossa Arquidiocese. São na maioria leigos(as), mas sempre com a participação de padres, religiosos(as) e seminaristas. A cada ano, novos missionários são integrados ao grupo, que conta sempre com uma preparação anterior para este trabalho. O número de missionários é determinado em proporção ao número de comunidades da paróquia onde será realizada a missão. Sendo geralmente necessário o envio de um a três ônibus.

Missões - BahiaA experiência da missão é algo inexplicável. Tão gratificante que, uma vez lá, jamais se quer deixar de ir. O missionário parte preocupado com o que vai ensinar, quando, na verdade, ele aprende muito mais do que aquilo que leva. É uma troca. Se, pela situação em que nos encontramos, temos mais acesso aos conteúdos e formações, eles, por sua vez, nos ensinam pela força da fé, da alegria, da partilha e do amor ao próximo. Mesmo não tendo quase nada, eles não reclamam, são felizes, e nos recebem como se fôssemos as pessoas mais importantes do mundo.

O missionário nunca parte em nome próprio. Vai em nome da Arquidiocese, enviado pela sua paróquia de origem, que fica rezando pelo bom êxito da missão. Podemos ser missionários de três maneiras: partindo para a missão, rezando e ajudando financeiramente.

São Paulo falava: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). Todo batizado é, por excelência, um missionário. Vários leigos já foram enviados pela nossa paróquia para esta missão: Maria Salete, Walter Colombo, Bernadete Back e Rosália. Então, se você sentir o chamado a partir conosco, não tenha medo. Não vai se arrepender!

Missionários

Maria Salete Rotini

Dada a proximidade do Dia de Finados, apresentamos uma das crônicas mais antigas do nosso convento, mais precisamente a quinta crônica, dedicada aos primeiros irmãos que faleceram aqui em Florianópolis. Como seria impossível recordar brevemente todos os frades falecidos nestes 107 anos da nossa presença na ilha, nestes primeiros queremos homenagear a todos os outros confrades.

Aproveitamos também para recordar e homenagear a cada irmão e irmã que aqui deixou sua pequena ou grande contribuição, tantos paroquianos, devotos de Santo Antônio, benfeitores e dizimistas.

Celebrar o Dia de Finados nos traz primeiramente um sentimento de profunda gratidão e reconhecimento a todos aqueles que nos precederam, àqueles que, com coragem e ousadia, deram início a todo este trabalho apostólico. Brota em nosso coração também o desejo de não deixar morrer tudo aquilo que eles fizeram e pelo qual deram a sua vida. Esta paróquia não é algo apenas nosso. Ela é herança generosa de tantos irmãos e irmãs. É missão dada pelo Senhor e transmitida de mão em mão, por tantos operários na Sua vinha. Tal qual São Francisco aos frades, eles parecem nos dizer:

“Eu fiz a minha parte; que Cristo vos ensine a cumprir a vossa!”

Rezemos pelos falecidos, e não deixemos de pedir sua intercessão.

Frei André Luiz, OFM

 

Irmãos falecidos

Frei EvaristoEmbora não seja o primeiro na ordem cronológica, convém comunicar em primeiro lugar a morte do estimado Frei Evaristo Schürmann. [Omitimos os seus dados biográficos, que ocupam três páginas inteiras, por já terem sido matéria deste especial, “Primeira Parte, Construtor da igreja”]

Frei GuilhermeFrei Guilherme Meurer, irmão leigo, nascido em 1850 em Burtscheid, Aachen, Alemanha. Viveu primeiro alguns anos em Alemanha como eremita, entrou na Ordem e foi admitido nela Terceiro perpétuo com o nome Guilherme. Faleceu em [24 de junho de 1909].

Frei JacintoFrei Jacinto Becker, nascido 1877 na diocese de Trier, Alemanha, ordenado 1902, serviu os primeiros anos de sacerdócio de professor em diversas escolas primárias, dedicando-se depois à cura de almas. Atacado nos pulmões e enfraquecido pelas dores contínuas do estômago, faleceu durante a elevação da Santa Missa, celebrada na enfermaria, estando presente o grande amigo dos franciscanos, Monsenhor Francisco Topp, com 23 anos de profissão religiosa em 23 de outubro de 1917.

Frei XistoFrei Xisto Meiwes, nascido 1853 em Delbrück, Alemanha, ordenado 1889, na idade de 36 anos, trabalhando principalmente entre os colonos alemães, mais tarde em Blumenau, onde era o querido vigário do convento. Ficando gravemente doente em Angelina, onde viveu os últimos anos, foi transportado a esta cidade. Filho verdadeiro de São Francisco, morreu o “Vater” [“Pai” em alemão. Na verdade foi duplamente pai da Província, pois, juntamente com o futuro bispo Dom Frei Amando Bahlmann (+1939) foi ele, em 1891, o pioneiro e primeiro missionário a vir ao Brasil para restaurar a Província da Imaculada, reduzida a um único frade; e também, em anos de vida, foi o mais idoso entre os confrades. Por isso gostava de chamá-los de “filho”. Em troca, era apelidado de “paizinho”] no Hospital de Caridade, com 43 anos de professo, no dia 28 Agosto 1926.

Frei HugolinoFrei Hugolino Becker, nascido 1887 em Münster, Alemanha, ordenado 1919 em Petrópolis. Visitando um doente de tifo, foi infeccionado da mesma doença em Angelina. Na idade de 43 anos, com 4 anos de profissão, faleceu no mesmo hospital da cidade de Florianópolis em 14 de maio de 1929.

Frei AlbinoFrei Albino Müller, nascido 1912 em Windhof, Rio Grande do Sul, ultimou os seus estudos de humanidade no colégio da [Província da] Saxônia [em] Vlodrop, Holanda [devido à sua capacidade e, sobretudo, pelo talento privilegiado para os estudos], foi logo depois do noviciado atacado de doença de estômago, faleceu em consequência da operação realizada no Hospital da Caridade com 4 anos de professo, no dia 28 de junho de 1934.

Frei JerônimoFrei Jerônimo Goldkuhle, nascido 1874 em Wiedenbrück, Alemanha, ordenado 1898, dedicou-se desde 1904 no Brasil às santas missões, pregando-as por 30 anos consecutivos. Era pregador exímio e conhecedor profundo da língua lusitana. Sofrendo por muitos anos do coração e atacado dos rins, veio afinal a hidropisia terminar os trabalhos incessantes na vinha do Senhor no Hospital mencionado, com 43 anos de votos religiosos em 30 de Janeiro de 1934.

Frei FlavianoFrei Flaviano Spohr, nascido 1907 em Harmonia, Rio Grande do Sul, ordenado 1931 em Petrópolis, trabalhou uns meses em Blumenau e São José. Sofreu muitos anos e finalmente sobreveio-lhe doença tifoide, que lhe causou a morte. Faleceu, depois de 8 anos de profissão, em 13 de dezembro 1934.

Requiescant in pace! [Descansem em paz!]

Extraído do primeiro Livro das Crônicas do Convento, p. 4-6.
Fotos do segundo volume da Coleção “Centenário”:
Confrades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil,
falecidos nos primeiros 50 anos da restauração (1891-1941)

Ano       Pároco

1966      Frei Martinho Meyer, OFM

1968      Frei Fidêncio Feldmann, OFM

1974      Frei Junípero Beyer, OFM

1980      Frei Faustino Tomelin, OFM

1982      Frei Tarcísio Theis, OFM

1986      Frei Faustino Tomelin, OFM

1986      Frei Marino Prim, OFM

1992      Frei Antônio Marcos Koneski, OFM

1998      Frei Dalvino Munaretto, OFM

2004      Frei Gunther Max Walzer, OFM

2010      Frei José Clemente Muller, OFM

2011      Frei João Maria dos Santos, OFM

2013      Frei Vanderley Grassi, OFM

27 de fevereiro – 08h30 – Assembleia Paroquial

12 de março – 08h30 – Formação para Missionários

20 de março – 12h – Almoço Franciscano

21 de março – 19h – Celebração Penitencial

03 de abril – 10h – Missa de Envio dos Missionários

24 de abril – 12h – Almoço Franciscano

29 de maio – 10h – Missa e Coroação de Nossa Senhora

29 de maio – 12h – Almoço Franciscano

31 a 13 de junho – Trezena e Festa de Santo Antônio

02 de agosto – 07h40 – Chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida
11h – Missa solene
19h – Missa de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula

11 de agosto – 19h – Missa solene de Santa Clara

30 de agosto – 19h – Missa solene do Jubileu – Dom Wilson

A edição de fim de semana do Diário Catarinense, 23 e 24 de janeiro, apresentou um artigo especial, intitulado “Segregados” (p. 25-33), sobre os hansenianos da Colônia Santa Tesesa. Na página 30, sob o título “Separados pela água do rio”, o artigo menciona a assistência religiosa das “Irmãs Franciscanas de São José e dos padres que cuidavam da capela” e, entre outras coisas, dá grande ênfase ao trabalho teatral dirigido por nosso confrade Frei Daniel Kromer:

Paixão de Cristo“No final dos anos 1940, o capelão do hospital era o frei polonês Daniel Kromer, apaixonado pela missão de cuidar da alma e da autoestima dos enfermos e também um aficionado pelo teatro. Decidiu encenar na Colônia um espetáculo sobre a vida e paixão de Cristo, com mais de quatro horas de duração, ao ar livre, tendo como atores os próprios doentes. Benício fez o papel de Jesus, e Sita foi o Anjo Gabriel.

– Depois de uma primeira apresentação interna aclamada por todos, recebemos incentivos e, nos anos de 1951 e 1952, redobramos os ensaios. Com 250 personagens, o drama foi reapresentado para um público de aproximadamente 10 mil pessoas (pagantes) a cada edição, com o título de Oberammergau Brasiliense – lembra Benício.

Para receber o público, que chegava de toda a região, arquibancadas de madeira foram construídas nas colinas fronteiriças ao hospital, de onde se avistava o palco em uma gruta natural. Apenas as águas do rio Imaruim separavam a imensa plateia dos doentes. A iniciativa, até então inédita, ganhou repercussão nacional e internacional, com direito inclusive a cobertura de oito páginas na revista O Cruzeiro, a mais importante da época, além de jornais da América do Norte e da Europa elogiando a encenação. Houve inclusive crítico que considerou a ‘peça dos lázaros’ como ‘o maior acontecimento teatral no Brasil em 1952’”.