Ano-jubilar-da-Paróquia

Queridos irmãos e irmãs, paroquianos, fiéis e devotos de Santo Antônio, nossa amada paróquia celebrará seus 50 anos no dia 30 de agosto de 2016. Para preparar esta festa, abriremos no fim deste mês, com o Almoço Franciscano de Santa Clara, o Ano Jubilar.

A Coordenação do Conselho Pastoral Paroquial se reuniu com o pároco, Frei Vanderley Grassi, ofm, nesta terça-feira, dia 11 de agosto, após a missa solene de Santa Clara, para elaborar a agenda dos eventos, escolher os meios a serem utilizados para a recordação histórica e envolver todas as pastorais e movimentos na dinâmica de celebração e renovação próprias do Jubileu. Temos novidades vindo por aí. Aguardem!

Contudo, nesta preparação todos podemos colaborar. Solicitamos, portanto, a todos os que tiverem fotos ou fatos importantes da paróquia nestes 50 anos a encaminhá-los à secretaria da Paróquia ou pelo e-mail secretariafloripa@franciscanos.org.br.

Esta festa é de todos nós. Venha celebrar conosco!

Conselho

Levítico 25

1.O Senhor disse a Moisés no monte Sinai: “Dize aos israelitas o seguinte:

2.quando tiverdes entrado na terra que vos hei de dar, a terra repousará: este será um sábado em honra do Senhor.

3.Durante seis anos semearás a tua terra, durante seis anos podarás a tua vinha e recolherás os seus frutos.

4.Mas o sétimo ano será um sábado, um repouso para a terra, um sábado em honra do Senhor: não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha;

5.não colherás o que nascer dos grãos caídos de tua ceifa, nem as uvas de tua vinha não podada, porque é um ano de repouso para a terra.

6.Mas o que a terra der espontaneamente durante o seu sábado, vos servirá de alimento, a ti, ao teu servo e à tua serva, ao teu operário ou ao estrangeiro que mora contigo;

7.tudo o que nascer servirá de alimento também ao teu rebanho e aos animais que estão em tua terra.

8.Contarás sete anos sabáticos, sete vezes sete anos, cuja duração fará um período de quarenta e nove anos.

9.Tocarás então a trombeta no décimo dia do sétimo mês: tocareis a trombeta no dia das Expiações em toda a vossa terra.

10.Santificareis o quinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as suas terras e para a sua família.

11.O quinquagésimo ano será para vós um jubileu: não semeareis, não ceifareis o que a terra produzir espontaneamente, e não vindimareis a vinha não podada,

12.pois é o jubileu que vos será sagrado. Comereis o produto de vossos campos.

13.Nesse ano jubilar, voltareis cada um à sua possessão. [...]

23.A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha, e vós estais em minha casa como estrangeiros ou hóspedes.”

PorciúnculaProvidencialmente, o jubileu de ouro de nossa paróquia, uma paróquia franciscana, coincidirá com o Jubileu da Misericórdia (8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016), querido pelo Papa Francisco em comemoração aos 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II, e o oitavo centenário da Indulgência da Porciúncula (2 de agosto de 2016), o Perdão de Assis, querido pelo nosso seráfico Pai São Francisco como um “jubileu permanente”, para que “todos aqueles que, arrependidos e confessados, entrando nesta igrejinha, tenham o perdão de todos os seus pecados e a completa remissão das penas devidas às suas culpas”.

É o Ano da Graça do Senhor! Tempo solene de misericórdia, reconciliação, renovação e recomeço. Tempo de fazer memória das inúmeras graças com as jubileu-da-Misericordiaquais Deus nos prodigalizou em sua infinita misericórdia. Tempo de reconstruirmos a nossa morada interior e assumirmos juntos o cuidado pela nossa casa comum. Tempo de redescobrirmos a nossa própria identidade como filhos e filhas de tão grande Pai, como irmãos e irmãs uns dos outros e de todas as criaturas, como membros vivos e atuantes da mesma comunidade de fé. Tempo de alegria, de música e de dança, pois convinha fazermos festa (cf. Lc 15,32).

 

Solenemente, na missa das 10h do dia 30 de agosto de 2015, foi aberto o tão esperado Ano Jubilar da nossa querida Paróquia Santo Antônio. A equipe litúrgica contava com um grande reforço. Estavam conosco os vocacionados Wagner e Matheus e o novo coroinha Antônio, cujo nome é muito significativo neste tempo de renovação jubilar que nos é proposto para toda a Paróquia Santo Antônio.

No início da missa, acendeu-se as velas do Ano Jubilar, pedindo que Deus, princípio e fim de nossa história, afugentasse para longe de nós todas as trevas e fizesse resplandecer em nossa paróquia a sua luz. Antes da bênção final, Frei André apresentou alguns slides mostrando as “raízes profundas” de nossa história franciscana no continente americano, no Brasil, no Estado de Santa Catarina, na Grande Florianópolis e os inícios de nossa paróquia até os dados coletados no primeiro ano após sua criação. Estes slides podem ser recordados aqui.

Após a solene liturgia, tivemos o nosso Almoço Franciscano de Santa Clara. O salão estava lotado e todos puderam se alegrar e confraternizar pela abertura do nosso Ano Jubilar. Agradecemos a todos que participaram e, especialmente, a toda a equipe que colaborou para a realização deste evento histórico. Confira as fotos do Almoço Franciscano de Santa Clara aqui.

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Boletim distribuído no dia da instalação solene da Paróquia [04/09/1966]

 Aos católicos da Nova Paróquia de “Santo Antônio”

Tua repartição. Teu clube. Teu cinema. Teu colégio. Tua praia. Mas tua Paróquia?

Tua Paróquia é como tua casa. É tua. Designada tua Igreja. Por isso, a boa ordem das coisas manda que, habitualmente, busques o conforto espiritual na tua casa espiritual. Se teu clima familiar é o teu bairro; se teu próximo, teu primeiro próximo, é o da rua em que moras; se teus filhos procuram diversão e amizades na vizinhança – isto são fenômenos de raiz que explicam porque tua Mãe Espiritual, a Igreja de Sempre aceita o bairro como campo geográfico da Paróquia Nova, em toda parte.

O Bairro da Ponte, que é o teu, possui agora Paróquia própria, que é a tua, com igreja matriz própria. Ela é muito naturalmente a casa de culto onde a Família de Deus do teu bairro se reune, para agradecer, para pedir, para escutar. É nela que vens encontrar para ti e os teus a Palavra de Deus na pregação e o Filho de Deus Vivo no Sacrifício Eucarístico. É na tua igreja matriz que irás receber a graça dos Sacramentos, ali aonde levarás a batizar os teus filhos.

Sem dúvida: em todos os templos católicos encontras o mesmo Mistério de Cristo, presente na Comunidade de seus Fiéis, os mesmo sinais de salvação, a mesma Doutrina em roupagem vária, a mesma Liturgia unificante. Esta é apenas mais uma razão para adotares por costume de frequentar a tua igreja matriz; pois nenhuma outra te prega e te dá um Cristo diferente.

Tua igreja matriz é pequena?… Só tua presença a poderá fazer grande, e sempre ainda haverá lugar, como no Banquete do Evangelho. Tua igreja matriz não é bonita? Só tua presença a poderá fazer bonita, e sempre ainda haverá lugar, como no Banquete do Evangelho. Depois… é a igreja de Santo Antônio, o Santo do mundo inteiro. Católico de verdade, quem mais do que ele? Preferido do nosso povo, quem mais do que ele?

Porém, não é propriamente de Santos que se trata. Centro absoluto da nossa Liturgia e do nosso Apostolado é Jesus Cristo, nosso Mestre e Salvador. Ele é Deus. É, pois, o Santo dos Santos presente na comunidade através do Mistério da Igreja, Sua assembleia. E a Igreja Universal, por ele fundada, está desejando e promovendo esta comunidade de Fé, de Culto e Caridade. Mas comunidade é, por definição, uma quantidade restrita a um determinado âmbito geográfico e social, onde a fronteira traçada num mapa é apenas risco visível para uma atuação infinita, sem fronteiras. A fronteira visível duma Paróquia é o campo temporal em que o núcleo comunitário dos católicos realiza sua inserção pessoal contínua em Cristo – “Eu sou a Videira, vós sois os ramos” – e, como comunidade unida, sua inserção no sentido da Igreja e do Cristianismo. Sem este Senso de Comunidade, como poderá o católico ajudar? Ajudar na execução das tarefas profundas que a Igreja dos Tempos Novos aponta ao Clero e aos Leigos, na sociedade dispersa de hoje?

Lembra-te por isso: é com teus padres que formas a Família de Deus, não sem eles e eles não sem ti. “A Igreja sois vós!” A Igreja não são os padres. E onde quer que talvez o sejam só eles, será por culpa dos próprios católicos “ausentes” da sua missão de católicos, ativos por obrigação de Batismo. Não querem ser tutelados, mas também não querem ser auxiliares, levando aos ministros de Deus a esta situação impossível de se verem repelidos da própria sociedade de seus católicos… Talvez critiques o clero. Mas, se não ajudas, se não trazes sugestões, que sinceridade terão tua críticas? Se não nos conscientizamos de nossos deveres sociais dentro da nossa Família Paroquial, como poderemos sacudir de vez este catolicismo individual, exclusivista e fechado, que o próprio termo “católico” repele? As motivações de tua atitude de católico, devem ser religiosas: baseadas na Fé e no sentir católico de quem aceita, como batizado moderno, as indicações boas que o Concílio Vaticano II te faz.

Sobre a vasta planície dos telhados horizontais emerge a torre vertical da tua igreja. Esta visão te indica teu lugar de católico na moderna sociedade. Pois é nessa tua igreja matriz que encontras as forças espirituais para não faltares no teu lugar. E na tua Paróquia, onde é tua Família Espiritual, acharás o apoio moral para tua vivência de católico útil aos teus irmãos.

E a universalidade da tua Igreja não exclui, antes supõe, a descentralização em núcleos paroquiais. Bom católico mesmo é o católico paroquiano – o homem com Sentido de Paróquia! É de porções pequenas que se compõe o Rebanho Imenso, para que, divididos os misteres, multiplicados os pastores e os leigos seus auxiliares, tu mesmo sejas um católico “menos massa”, menos coletivizado, menos diluído, menos impulsionado, mais impulsionador, menos displicente, mais atuante. Dizer que os padres é que são a Igreja será desculpa que tua consciência católica não pode aceitar! Tal consciência, se for viva, não permite que te excluas das tarefas católicas de hoje. Tudo repousa na consciência da nossa responsabilidade! Assim como a responsabilidade do Clero não é apenas a de missalizar os fiéis e de administrar-lhes bênçãos e sacramentos, a tua responsabilidade não é apenas a missa e a bênção. Pois tua vivência de cristão e tua atuação de católico começa no instante exato em que sais da igreja!

[Extraído do Livro Tombo p. 3-5]

Deus onipotente e eterno,

que por Moisés, vosso legislador,

quisestes chamar misteriosamente de jubileu

o quinquagésimo ano

e mandastes que nesse ano se perdoassem a todos

as obrigações e as dívidas

e fosse dada a liberdade aos oprimidos pela escravidão,

concedei a estes vossos servos,

por intercessão de nosso seráfico pai São Francisco

e de nosso glorioso padroeiro Santo Antônio,

a graça do Ano Jubilar,

a graça da remissão de todos os pecados,

a fim de que, purificados

e imbuídos da liberdade e do vigor primaveril,

retomemos o propósito de vida comunitária

e progridamos no testemunho de vida evangélica,

perseverando firmemente na observância dos vossos mandamentos.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Dom Afonso Niehues, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica,
Arcebispo Coadjutor e Administrador Apostólico.

Aos que este Nosso Decreto virem, saudação, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fazemos saber que tendo sido supressa a paróquia do Puríssimo Coração de Maria, nesta Capital, e considerando o que sugere o Decreto Conciliar “Christus Dominus” sobre o munus pastoral dos Bispos na Igreja (cap. II – art. 32), e atendendo as necessidades pastorais de nossa cidade episcopal, depois [de] ouvido o parecer do Cabido Metropolitano e do Cura da Catedral, e acertados os termos do convênio entre a Arquidiocese de Florianópolis e a Província Franciscana da Imaculada Conceição: Havemos por bem erigir, criar e constituir, como de fato pelo presente nosso Decreto erigimos, criamos e constituimos a Paróquia de Santo Antônio, nesta Capital, Limites da Paróquia Santo Antôniocuja linha divisória com a paróquia da Catedral é a seguinte: sobe do Cais Frederico Rola pela rua Álvaro de Carvalho; continua pela Esteves Junior até a esquina com a av. Rio Branco; sobre por esta até o fim, para entrar pela rua Duarte Schutel até a praia, contornando dai toda a faixa litorânea até o cais Frederico Rola. Inclui, assim, a metade das ruas Cons. Mafra e Felipe Schmidt, a Praça Pio XII, as ruas S. Francisco e Padre Roma.

A paróquia de Santo Antônio será provida de pároco próprio, a cuja jurisdição submetemos todos os habitantes de seu território, e gozará de todos os direitos com[o] as demais paróquias da Arquidiocese.

Aos fiéis caberá a obrigação de não somente acatar o ensino e a orientação do pároco, mas também colaborar com as obras espirituais e materiais da paróquia, empreendidas por ele. Desde já aprovamos a instituição do sistema de arrecadação, conhecido pelo nome de “centésimo”, o qual servirá para a manutenção do culto e progresso da paróquia.

A igreja matriz deve ser provida do necessário para a celebração do Santo Sacrifício da Missa e demais funções religiosas.

O pároco, por nós nomeado, celebrará a “Missa pro populo”, instituirá a Doutrina em todas as escolas e localidades que ministrará por si, ou pelas professoras e catequistas, sob a sua orientação e inspeção, e segundo as linhas da Pastoral traçadas pela Arquidiocese; fomentará o apostolado leigo, de acordo com as normas e o espírito do Concílio.

O arquivo paroquial que por este Decreto criamos deverá ter todos os livros prescritos.

Este nosso Decreto será lido aos fiéis da nova paróquia, à estação da Missa paroquial, e integralmente transcrito no Livro do Tombo, e comunicado aos párocos das paróquias limítrofes.

Dado e passado em a Nossa Cúria Metropolitana de Florianópolis sob o nosso sinal e Selo das Nossas Armas, aos 30 de Agosto de 1966.

Ass. + Afonso Niehues, Arceb. Coadjutor
e Administrador Apostólico

Frei Evaristo Schürmann, OFM

Frei EvaristoNasceu Frei Evaristo Schürmann no dia 19 de setembro de 1878 na aldeia de Clarholz, diocese de Paderborn, Alemanha.

Para servir a Deus numa vida mais perfeita e ajudar espiritualmente aos irmãos, ingressou aos 14 anos, no seminário franciscano de Harreveld, Holanda.

No fim do ano de 1894 (3 de dezembro) veio para a missão brasileira com mais 15 religiosos e um bom grupo de colegas estudantes, desembarcando em Olinda, PE. Como quase todos logo adoecessem de febres, foram já em 1895 transferidos para Blumenau, SC, onde ele terminou com brilhantismo o ginásio e recebeu o hábito franciscano no dia 9 de maio de 1897.

Concluiu também com sucesso os estudos de filosofia e teologia e na data de 21 de setembro de 1902 foi ordenado presbítero na capela do convento de Blumenau, pelas mãos do primeiro bispo diocesano dos Estados do Paraná e Santa Catarina, Dom José de Camargo Barros (1894-1904).

Recebida a ‘cura’, e devido o seu privilegiado talento, foi até o ano de 1906 professor no Colégio Santo Antônio e lente de filosofia e teologia dos frades estudantes, trabalhando simultaneamente na cura d’almas e na pregação de missões populares.

Passou depois dois anos em Petrópolis, RJ, na pastoral e, em 1908, foi nomeado vigário conventual da nova fundação em São José, SC. Ali permaneceu somente um ano. Florianópolis, SC, foi a seguir seu campo de trabalho onde residiu os 30 restantes anos de vida.

Considerado idôneo e capaz, foi acompanhante, nas visitas pastorais, do primeiro bispo de Santa Catarina, Dom João Becker (1908-1912) e também missionário, guardião, definidor da Província em 1911.

Em 1924 seu nome foi até cogitado para ser o primeiro bispo de Lages, SC.

Superior por muitos anos em Florianópolis, merece especial destaque a construção da matriz de Santo Antônio e a residência dos frades. Juntamente com a cura d’almas dedicou-se ao ensino, para o que era muito jeitoso. Pelo Governo Estadual foi nomeado professor de latim e alemão na Escola Normal, e pelo bispado, diretor do grupo escolar “São José”.

Sua atividade na diocese recebeu merecido reconhecimento pela sua nomeação para Pró-vigário Geral, por ocasião do falecimento de Monsenhor Topp, em fins de 1925. Por dispensa papal, foi no dia 7 de fevereiro de 1935 efetivado como Vigário Geral da diocese. Foi ainda capelão do orfanato e do grande colégio das Irmãs, diretor da Ordem Franciscana Secular, das Damas de Caridade e das Filhas de Maria.

Em todas as camadas da sociedade sua presença e personalidade eram tidas em grande estima. Já seu exterior tinha algo de cativante, pois, foi aquinhoado com um temperamento muito afável e benigno, além de boníssimo de coração e de uma liberalidade sem limites.

Uma nota trágica acompanhou os dois últimos anos de vida de Frei Evaristo. Em 9 de março de 1938 sofreu desastre de automóvel, resultando em preocupante ferimento craniano que exigiu intervenção cirúrgica. Certamente deve ter sofrido comoção cerebral, o que lhe trouxe, como consequência, grave abalo dos nervos e um anuviamento do espírito.

Seu estado de espírito agravava-se sempre mais e mais e, apesar de aconselhado por confrades e amigos a procurar médico especialista no Rio de Janeiro, achava sua presença em Florianópolis indispensável e não queria deixar a cidade. Negava desesperadamente que estivesse enfermo. Só aceitou a ideia de ir para o Rio como uma pequena viagem de recreio, querendo voltar o quanto antes.

No Rio só lhe restou uma semana de vida, sendo arrebatado por um ataque apoplético no dia 26 de junho de 1939.

A notícia de sua inesperada morte tomou de surpresa os moradores da capital catarinense. Foram celebradas solenes exéquias na catedral. Circular de Monsenhor Baron, bem como os jornais, relembrava passagens de sua vida e sobretudo suas muitas benemerências praticadas até para com pessoas mal intencionadas.

Confrades da Província F. da Imac. Conc. do Brasil
falecidos nos primeiros 50 anos da restauração (1891-1941), p. 213-215

Belíssima poesia histórica composta em homenagem aos 25 anos de sacerdócio de Frei Evaristo (1902-1927) juntamente com outras 18 homenagens de personagens importantes do cenário social e eclesiástico encadernadas pela Escola São José.

 Centelhas de um jubileu

Isaura Veiga de Faria

            1902
Vinte e um de setembro!
Em Blumenau comovedora cena
Eu lembro
Nessa manhã primaveril, serena.
Do próspero colégio na capela,
Entre luzes e flores, pequenina,
Tão simples e tão bela,
A cerimônia augusta se efetua
Da santa ordenação.
Esmera-se, portanto, a Liturgia:
Em cada gesto é toda uma eloquência,
Dos símbolos majestosa na sequência.
Tudo é sublime e santo
Ali no altar,
Onde se vê prostrado
O aspirante ao pé de seu Prelado.
Entre nuvens de incenso
Um perfume se evola de açucenas,
De rosas e verbenas…
Aedo sublimado, o órgão espalha
Torrentes de harmonia;
E melódicos acordes traduz
O amoroso convite do Senhor
À alma, que no fogo da peleja
Venceu o mundo vão,
Aos pés calcou os vãos prazeres,
E agora só deseja
De Cristo a sacra unção.
Prosseguem as cerimônias…
O instrumento sagrado pela nave
Mais solene, mais grave,
Derrama seus harpejos
E soleniza
Dos místicos esponsais
O mistério insondável,
A excelsa dignidade:
“És sacerdote até a Eternidade!”
De invisos rosicléres nova aurora
Surgindo vem agora.
Doce emoção
Lhe acorda n’alma intraduzível gozo,
O coração
Ascende, em colóquios de amor
Embevecido, ao trono do Senhor!
E sobe o monte santo…
Inclina-se contrito…
Já o momento solene se aproxima
Da Transubstanciação!
O coração palpita-lhe apressado,
Numa pira de afetos transformado.
E à sua voz potente,
Nas mãos alçadas
Branqueja, entre as espécies sagradas,
O Deus Onipotente!
            1903
Aos jovens alunos com alma de apóstolo
Ministra no mesmo colégio a instrução,
Enquanto ao estudo se entrega ardoroso,
Visando mui breve a feliz conclusão.
            1904
Os estudos terminados
Com felizes resultados.
Ei-lo já com maestria
A ensinar Filosofia;
Realçando os dotes seus,
Quando à prima causa – Deus
Às novéis inteligências
Os horizontes desata.
            1905
É agora da santa doutrina
Diligente, fiel professor.
A excelsa formosura,
Toda a luz e esplendor
Descortina
Aos alunos, da Ciência Divina.
            1906
À formosa cidade de Petrópolis
Transportou-se neste ano o sacerdote.
E logo, de orador missionário
Nos revelou seu precioso dote.
            1907
Missionário!…
Ao estrear seu fecundo apostolado,
Ei-lo em São Paulo, em Minas,
Distribuindo o pão das sãs doutrinas
De Jesus!
            1908
Foi transferido para São José
E aproximou-se de nós Frei Evaristo,
Gaudiosa efeméride,
Que princípio certo é
De tudo isto,
Que em nossa Capital celebrizou seu nome.
            1909
Ao entrar
No mimoso cenário
Desta terra,
O seu verbo inflamado
Fez-se ouvir
Do púlpito sagrado.
E como secretário
Do nascente bispado,
Novo horizonte alveja
Seu porvir,
Incendeia sua alma
No amor da Santa Igreja.
Mais trabalhos e encargos
Que são novas, viridentes palmas:
O pastor a seu zelo confia
O carinhoso amanho
Da mais cara porção de seu rebanho
A piedosa “União
Das Filhas de Maria”
            1910
Em seus diversos cargos e misteres
Manifesta-se ativo, diligente,
Adquirindo a certeza desde logo
Que em terra boa lançou sua semente.
            1911
Às serras e aos vales, às ínvias regiões,
Dos centros populosos à matriz igreja,
À ermida solitária que no mato alveja,
Conduz o missionário a bênção das missões.
Concorre a gente humilde e o povo dos rincões,
Enquanto o sol em despedida a terra beija;
E vão todos! Não há quem indiferente seja
Do Padre à voz, núncia de paz aos corações.
Logo depois que a sementeira à terra lança,
Segue, sem ver que fruto o seu labor alcança
O missionário é assim: a flor de uma saudade.
Não pôde cultivar sequer em terra alguma,
Que o tempo sua lembrança pouco a pouco esfuma,
Enquanto frutifica o gérmen da verdade.
            1912
Retirando-se D. Becker
Desta sé episcopal,
Nomeia Frei Evaristo
Pró-cura da Catedral.
Como diretor que foi
Das damas de Caridade,
Novos trabalhos e encargos
O seu tempo todo invade.
            1913
De novo nas intérminas jornadas
Segue em busca de louros imortais.
A fadiga, o cansaço, tudo vence,
Não dá um passo atrás.
Pobres e ricos, como outrora o Mestre
Ele acolhe, abençoa e assegura a paz;
Transmuda em luz as trevas do pecado,
Sem se cansar jamais.
Oráculo de Deus, seu verbo ardente
Degela os corações, é vida, é luz;
Esperança de mestos naufragados,
Conforto de quem geme sob a cruz.
Que louros afinal a fronte cingem
Deste conquistador da pátria êxul?…
– Que louros?… Uma coroa de almas reparai,
Que alígeras se dirigem ao céu azul.
            1914
Seus labores e virtudes
Atraem as solicitudes
Dos superiores da Ordem.
De todos muito benquisto,
O bondoso Frei Evaristo,
Nomeado superior,
Mais a um ônus não se nega;
Antes todo empenho emprega
Por corresponder solícito
Dos chefes à confiança.
E melhorar muito alcança
A residência de seus frades.
            1915
Quisera o estro aqui sonorizado
Numa doce expressão de amor e fé,
Por sinalar o dia memorável
Da fundação da Escola São José.
E quisera decerto registrar
A parte que tornou Frei Evaristo,
Porém, se todo o benefício Deus
Arquiva, da tarefa eu já desisto.
            1916
Os seus trabalhos
São muitos, variados,
Mas das horas nos poucos interstícios.
A Padre Schuler
Na Escola São José
Fraternalmente presta seus ofícios.
            1917
O seu Provincial a Porto Alegre
Em objeto de serviço acompanhou,
Mas lá surpreendido por moléstia,
Só após três longos meses regressou.
            1918
A tétrica espanhola neste ano surgiu,
Quem é que não viu por ínvios caminhos,
Burel já sovado, este frade menor
À enxerga da dor levar seus carinhos?
Na digna missão que é paterna lembrança,
Oh! quanto ele alcança! Com gestos mui ternos
Socorre a miséria, repartindo a esmola,
E as almas consola com bens sempiternos.
No fiel desempenho da santa cruzada,
A Deus consagrada, se alteia sua mão
De Apóstolo zeloso, no gesto sublime
Da cruz que redime, que é bênção e perdão!
            1919
De altruísticos ideais
Frei Evaristo penetrado,
Na igreja de São Francisco
Funda novo apostolado.
A formosa instituição
Cuja base aí lançou,
Dispensário Santo Antônio
Foi o nome que tomou.
A obra se destinava,
Meritória e social,
Socorrer os mendicantes
Em a nossa Capital.
Cercou-se o padre zeloso
De um núcleo de bons obreiros,
E logo, de seus esforços
Vê resultados fagueiros.
Na hora da esmola aos sábados
Como era belo e tocante,
Dos pobres, velhos mendigos
Ver-se risonho o semblante.
Quando – ó flor da Caridade! –
A mão, repartindo a esmola,
Erguia-se benfazeja,
Dando a bênção que consola.
            1920
Um momento de suave prazer
Desejo recordar:
A bênção auspiciosa que ele deu
À pedra angular
Da igreja Santo Antônio.
            1921
Quatro de abril.
Linda manhã de radiosa luz!
Sobre altas comas que a leve brisa
Roça gentil,
Da nova igreja que se alteia a cruz
Na torre esbelta que se estiliza
No céu de anil.
Galante pousa
Ao fundo ameno da curta álea.
Nas vivas cores de seus vitrais
Sóbria, mimosa!
No imenso júbilo de sua estreia
Abre faceira largos umbrais,
Vitoriosa!
Recompensado
Se vê agora Frei Evaristo.
De Santo Antônio na bela igreja,
Vê realizado
Seu lindo sonho, jamais previsto.
Em ações de graças aos céus adeja
Bem consolado.
Bimbalha o sino.
Em mútuo acorde com nossas almas
Na santa bênção do santuário.
Um novo hino
Se entoa agora… verdejam palmas…
Pois há na terra mais um sacrário
Do Amor Divino.
            1922
Missionário é o seu título mais honroso.
Lá segue Frei Evaristo
Em busca sempre de almas redimidas
Pelo sangue de Cristo.
Missionário… Santa Catarina
Quase toda o conhece mui de perto.
Pois percorreu de norte a sul o campo
De obreiros tão deserto.
            1923
Afrontando a soalheira e a inclemência
Não descansa, não solta a mão do arado;
Avante segue sempre num desejo:
De Cristo ver o reino dilatado.
Como o servo fiel dos Evangelhos,
Seu trabalho só a Deus é consagrado.
            1924
Seu porte lhano, bondoso,
Sua virtude e ciência
Nas esferas sociais
Dão-lhe digna saliência.
Vede! Com que galhardia
Em nossa Escola Normal
Orna o burel franciscano
A cadeira magistral!
            1925
No mirífico fulgor de esplendido arrebol
Às regiões ignotas se resvala o Sol,
E aos milhares, centelhas da aurífera flama
Pelo espaço infinito, pródigo, derrama;
Suprema despedida, derradeiro adeus
À natureza estática, presa de receios
E de esperança presa… Num momento esse
Caleidoscópio fúlgido desaparece,
Um torpor de morte a natureza invade;
Toda envolta no roxo, manto da saudade,
Chora… O álgido orvalho sobre a flor insonte
Dulcificante verte, refrescando a fronte
Da triste órfão do Sol.
Assim foi numa tarde
De agosto: dadivoso sempre, sem alarde,
Resvala o Sol no ocaso – Padre Schuler tomba
Sem promover ruído sequer de uma hecatomba;
Antes lega um derrame de ondas cristalinas
No adeus supremo – Centelhas peregrinas
De sua alma, reflexas no mar de sua vida –
Aos filhos bem amados, à Escola querida…
E mansamente dorme no seio do Senhor,
Deixando, embora, imersa em treva e dor
A pobre órfão, a meiga flor de seus carinhos
Que jaz emurchecida à beira dos caminhos,
Vertendo o amargo pranto da orfandade,
Soluçando ardentes frases de saudade.
Trevosa, na silente angústia a noite passa…
Já a plúmbea vestidura aqui, ali se esgarça
E tênue claridade suave, docemente,
Dissipa a densa treva além para o nascente.
O céu de brandas tintas róseas se colora
E surge a alvissareira núncia – a meiga aurora
Que a natureza desperta e doce acaricia.
Da terra, mar e céu acorde sinfonia
À glória se levanta do lúcido arrebol.
Arauto juvenil de Febo – O novo Sol
Que vem, mirífica placa de ouro, e já se apressa
Em certezas criar na bênção da promessa.
Frei Evaristo! O Sol que à noite tenebrosa
Sucede, e à flor, a pobre órfão triste, chorosa,
Que enlanguescia de dor à beira do caminho,
Num gesto caricioso elevou de mansinho,
O cerne vivificou-lhe num raio de esperança,
E feliz a viu sorrir de novo em segurança.
Frei Evaristo! a luz da Escola São José
Que à luz de um outro dia sucede, e nossa Fé
Confirma: É novo Sol, pois que o barro é mortal;
Entanto é sempre o mesmo Sol Sacerdotal!
            1926
Com novo entusiasmo e novo ardor
Frei Evaristo prossegue neste ano
Na tarefa de educar os pequeninos.
Atinge seu caráter bom e lhano.
Resultado de muito vasto alcance
Com a criação das aulas de costura
Mais um curso de datilografia;
Elementos propícios de cultura.
Assim vai dia a dia o Franciscano,
Sem solução de continuidade
Elevando a Escola São José
No conceito geral desta cidade.
            1927
Ó tu, que o burel de grosso pano vestes,
Preso aos rins pela corda que sustenta
O rosário da Virgem e o Crucifixo,
Tu que passas na estrada poeirenta.
A fronte ornada de lauréis inéditos,
Detém o passo, peregrino para!
Que eu sou o marco do ciclo jubilar,
Assinalando a super data rara.
Detém o passo… Alonga teus olhares
Por essa intérmina fita coleante
Que transitaste, na ânsia da conquista
De tesouros celestes. Bandeirante
Sublime que nas selvas mais ocultas
Esmerilhaste a preciosa gema,
Levantando num gesto de triunfo
A Cruz de Cristo – luminoso emblema!
Repara muito além, na extremidade
O sorridente oásis que o favônio
De virtudes antigas refrigera –
– O teu coro Colégio Santo Antônio.
Vê a fonte murmura de vida eterna,
A Capela, o minúsculo Santuário
Em que tua alma ardente transformaste
Numa pira de amor – num relicário.
De um lado e de outro no caminho argênteo
De alouradas espigas o estendal
Vastíssimo revela teus suores
E a tua força máscula, perenal!
O vário mar da vida, azulejando
À fimbria do horizonte, que lembrança
Não desperta dos náufragos perdidos
Que conduziste ao porto de bonança!
Os que passaram à frente e já chegaram,
Outros que vêm contigo no caminho
Salmodiam em frases eloquentes
Todo um poema de teu sutil carinho.
A coorte de chefes e de amigos
Que te rodeia o vulto venerando,
Os viris predicados que te exornam
No silêncio dos gestos vão provando.
E aqui, na várzea amena, verdejante,
Sob o macio langor de esbelta coma,
Um estendal de matizadas flores
A teus cuidados paternais assoma.
As coroas de orvalho rorejadas
Se desfazendo em pétalas surgem agora
Num tapete inviso transformadas
Que a estância jubilar hoje decora.
No éter de perfumes balsamado,
Volteiam abelhinhas inquietas,
Pintando as asas de prazer e júbilo
No ritmo triunfal das clarinetas.
São as flores da Escola São José,
O teu lindo jardim de tantos filhos
Que, se cuidados paternais reclamam,
Ao jubileu dão os mais argênteos brilhos.
Ó tu, que o burel de grosso pano vestes,
Preso aos rins pela corda que sustenta
O rosário da Virgem e o Crucifixo,
Que retomas a estrada poeirenta.
A fronte ornada de lauréis inéditos,
Detém ainda mais um pouco o passo,
E fita além da íngreme escalada
No escampo azul do céu um ponto esgarço.
Um luminoso halo te circunda…
Teu coração de asceta logo alcança
No coro angelical que te saúda
Uma visão de Bem-aventurança!

 

Na nossa família paroquial, ocupa um espaço especial o nosso confrade de 88 anos, Frei Eliseu Tambosi. Poucos sabem, mas seu tio, Frei Norberto, marcou profundamente a história dos inícios de nosso convento. E, por falar em família, Frei Eliseu tinha um irmão franciscano como ele, Frei Valentim; e Frei Norberto, dois irmãos franciscanos: um padre, Frei Clemente, e um irmão leigo, Frei Paulino.

Estas são duas fotos da primeira missa de Frei Eliseu, ao lado de seus familiares. Na foto da direita, os pais estão na frente de Frei Eliseu, que está no centro; à sua esquerda, o irmão, Frei Valentim; e à sua direita, os tios, Frei Clemente e Frei Norberto.

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Frei NorbertoFrei Norberto Tambosi, OFM

* Rodeio, 26 de maio de 1885

+ Rio, 5 de setembro de 1965

 

Frei Justino Girardi e Frei Norberto Tambosi foram os dois primeiros padres brasileiros, ordenados após a restauração da Província da Imaculada Conceição. Ambos nascidos em Rodeio. [...]

Rodeio, uma colônia italiana, de famílias profundamente católicas, nasceu sob o signo de São Francisco de Assis.

Frei Justino e Frei Norberto, ou melhor dizendo, Silvestre Girardi e Emílio Modesto Tambosi foram os pioneiros, abriram a fila e – acrescente-se – uma fila enorme de franciscanos. [...]

Ocupemo-nos exclusivamente de Frei Norberto Tambosi, tendo à mão o depoimento de alguns confrades que com ele conviveram.

Não sabemos se por força do nome ou – o que é mais provável – pelas circunstâncias da vida, pelos transes difíceis pelos quais passou Frei Norberto no transcurso de sua vida sacerdotal, o fato é que o nome de batismo Emílio Modesto serviu admiravelmente, caiu como uma luva no “modesto” confrade. [...]

Na verdade, Frei Norberto, estivesse onde estivesse, diante de quantos o quisessem ouvir, não escondia a sua procedência humilde, não se envergonhava de seus pais colonos nem dos seus poucos estudos.

“Não sou doutor – dizia ele de certa feita – como a geração de agora. Quando cheguei a Blumenau, eu já era grandotezinho, espigado, mas era um burrinho, em comparação com os pequenotes sabidos da turma…, pois só tinha a Escola Primária da Colônia. Mal e mal fiz alguns anos de ginásio e depois mandaram-me para o Noviciado!”

Por falta de professores e também porque no mesmo Colégio de Blumenau admitiam-se alunos que não se destinavam exclusivamente para a vida sacerdotal, o nosso Emílio Modesto Tambosi apenas “beliscou”, se nos permitem a expressão, a língua grega. No Colégio não passou do alfabeto grego, acrescentando o já velho confrade “porque só tivera uma ou duas aulas de grego”.

Sem apelar, porém, para a “ciência infusa”, [...] a verdade é que Frei Norberto leu-nos algumas vezes trechos do Novo Testamento, em grego. O consciencioso estudante – e isto também foi um dos traços marcantes do confrade – com a seriedade que punha nos trabalhos a que se dedicava, conseguiu ele próprio, com os rudimentos muito esgarçados que tivera, preencher as lacunas dos estudos ginasiais. Ajunte-se a isto o que depõem diversos confrades: “Frei Norberto manifestava boa inteligência. Falava corretamente três línguas vivas: o português, o italiano e o alemão (esta última com perfeição invulgar)”. [...]

Nos 61 anos de vida religiosa franciscana – dos quais quase 55 de sacerdócio – foram relativamente poucas as transferências de Frei Norberto [Guaratinguetá, Amparo, Florianópolis e Rio de Janeiro] [...] quando transferido para Florianópolis [...] chegou [...] a 6 de fevereiro de 1917. [...]

Dizia a ordem do Revdo. Pe. Provincial que o confrade se transferisse para Florianópolis e lá permanecesse “por enquanto” [...] esse “por enquanto” prolongou-se por nada mais nada menos do que 25 anos: de 1917 a 1943, com uma pequena ausência de 9 a 10 meses passados em São José.

Na capital catarinense, foi “pau para toda a obra”: secretário do Sr. Bispo, confessor, bibliotecário, capelão da Igreja de São Francisco da Ordem Terceira, capelão e confessor dos frades, de Asilos, de Orfanatos [...]

Recordemos antes aquele episódio pitoresco mais condizente com o espírito brincalhão, alegre de Frei Norberto Tambosi. Certa vez o confrade, chegando à noitinha ao nosso convento, encontrou-se com um casal de namoradinhos em atitude menos decorosa, em pleno pátio do convento [...] indignado, o bom confrade ameaçou o parzinho: “Isso é uma vergonha! Vou telefonar para a polícia…!” Logo o rapaz réu perfilou-se, bateu uma impecável continência de fazer inveja ao mais exigente dos sargentos instrutores e identificou-se: “Pronto, Sr. Padre, eu sou da polícia!” A risadinha mal contida do frade resolveu o assunto por ali mesmo [...]

Quando Frei Norberto apagou a velinha do bolo, comemorando o 80º aniversário [...] foi como que uma despedida. [...]

O mal que acometera Frei Norberto, conforme revelaram as radiografias e os exames acurados dos médicos, foi câncer nos ossos.

Revista “Vida Franciscana”, 1970