Momento com o Papa › 05/07/2014

Defendendo a dignidade do trabalho

papa0507“Deus não se cansa de perdoar”: esse é o tema da visita pastoral que o Papa Francisco realiza neste sábado às localidades de Campobasso, Castelpetroso e Isernia, situadas na região italiana do Molise.

O helicóptero com o Papa a bordo pousou por volta das 8h30 locais no heliporto da Universidade do Molise, em Campobasso, com dez minutos de antecedência em relação ao horário previsto.

O Santo Padre foi acolhido, entre outros, pelo arcebispo de Campobasso-Boiano, Dom Giancarlo Bregantini. Dali até o complexo universitário Francisco transferiu-se de papamóvel, sendo calorosamente saudado pelos fiéis que o acompanharam ao longo do trajeto.

O primeiro encontro do Papa em Campobasso, sul da Itália, deu-se com o mundo do trabalho e da indústria, realizado na Sala Magna da Universidade do Molise. Após a saudação do reitor, de um agricultor e de uma operária da Fiat, mãe de uma criança e grávida – o Papa as tocou e abençoou o barrigão.

Em seguida, Francisco fez seu discurso agradecendo, inicialmente, pelo acolhimento e, sobretudo, por partilharem com ele a realidade em que vivem, as fadigas e esperanças. Logo depois, acrescentou espontaneamente:

“O senhor reitor tomou a expressão que disse uma vez, que o nosso Deus é o Deus das surpresas: é verdade. Todos os dias nos surpreende! Assim é o nosso Deus Pai. Mas disse outra coisa sobre Deus… Deus que rompe os esquemas. E se não tivermos a coragem de romper os esquemas, jamais seguiremos adiante, porque o nosso Deus nos impele a isso: a sermos criativos sobre o futuro. É uma bonita definição teológica!”

“Minha visita à região do Molise – prosseguiu – começa com este encontro com o mundo do trabalho, mas o lugar em que nos encontramos é a Universidade. E isso é significativo: expressa a importância da pesquisa e da formação também para responder aos novos complexos questionamentos que a atual crise econômica apresenta, em nível local, nacional e internacional. E isso foi há pouco testemunhado pelo jovem agricultor com sua escolha de especializar-se em agronomia e de trabalhar a terra ‘por vocação’.”

“O permanecer camponês na terra não é ficar fixo em um lugar; é fazer um diálogo, um diálogo fecundo, um diálogo criativo. É o diálogo do homem com a sua terra que a faz florescer, a faz tornar-se fecunda para todos nós. Isso é importante. Um bom percurso formativo não oferece soluções fáceis, mas ajuda a ter um olhar mais aberto e mais criativo para valorizar melhor os recursos do território.”

Em seguida, ressaltou outro desafio: o desafio apresentado pela mãe operária, “que falou também em nome de sua família: o marido, a criança pequena e a criança no ventre. Seu apelo é um apelo pelo trabalho e, ao mesmo tempo, pela família. Obrigado por este testemunho!

De fato, frisou, “trata-se de buscar conciliar o tempo de trabalho com o da família”. E acrescentou espontaneamente: Quando vou ao confessionário, agora não tanto como fazia em Buenos Aires… “Quando vem uma mãe ou um pai jovem, pergunto: ‘Quantas crianças tem?’ E faço outra pergunta, sempre. Você brinca com suas crianças?… Por favor, percam tempo com suas crianças!”

Nesse sentido, o Papa defendeu o domingo livre do trabalho – exceto os serviços necessários –, ressaltando que o mesmo afirma que a prioridade não é o econômico, mas o humano, o gratuito, as relações não comerciais, mas familiares, amistosas, para os que creem, para a relação com Deus e com a comunidade.

Em seguida, Francisco disse ter visto que na região do Molise se está buscando responder ao drama do desemprego somando as forças de modo construtivo, buscando um ‘pacto pelo trabalho’, encorajando-os a seguirem adiante nesse caminho, que pode dar bons frutos ali como em outras regiões.

Após ressaltar que a falta do trabalho tolhe a dignidade, evidenciou que o problema mais grave é justamente este, o não poder levar o pão para casa. “Por isso devemos trabalhar e defender a dignidade que o trabalho dá”, frisou Francisco.